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Crítica | Annabelle 3 – De Volta para Casa

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Crítica | Annabelle 3 – De Volta para Casa
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Com um tom juvenil e uma trama simples, o sétimo filme do Universo de Invocação do Mal se sai melhor do que o esperado.

Se passando justamente após os eventos do primeiro Invocação do Mal, Ed e Lorraine Warren (os sempre ótimos Patrick Wilson e Vera Farmiga) percebem o quão maligna é a boneca título do filme, e resolvem a aprisionar em sua sala de artefatos amaldiçoados que preenche todo o porão da casa. Após conterem o mal sob a bênção de um padre, os mesmos acabam por ter de viajar e deixar a sua filha Judy (Mackenna Grace) com a sua costumeira babá Mary Allen (Madison Iseman) até voltarem, e nesse meio tempo é revelado que Judy vem sofrendo bullying na escola devido a fama de seus pais enquanto a mesma também desenvolve a percepção espiritual no mundo material igual a sua mãe, e não sabe ainda como lidar e revelar isso aos poucos amigos que tem, entre eles Daniela (A novata Katie Sarife) que entra na casa dos Warren em busca da sua própria redenção e acaba por libertar um mal indefinível que reside na boneca Annabelle.

Até certo ponto do desenvolvimento dessa franquia bilionária, meu principal receio se dava em como o material seria tratado. Gary Dauberman, que produziu o roteiro dos Annabelle anteriores tinha feito um trabalho irregular e por vezes péssimo até aqui, e no fim me reservo a dizer que na direção do longa ele consegue dar um frescor e senso de controle sobre o ambiente de maneira bem competente – é muito bom ser surpreendido. Aliado a isso, o elenco transmite uma energia convincente, o núcleo feminino meio coming-of-age (o filme se passa em 1971) que é o centro da trama revela isso muito bem, as atrizes Mackenna, Madison e Katie fazem um trio digno de nota pelo polimento simples das personalidades das suas personagens, bem delineadas a relação com elas encanta por mostrar a adolescente que entende o “trabalho” dos pais e precisa se aceitar, assim como a jovem loira e linda que não é popular, é apenas normal e como isso é bom, e por fim a moça que subverte a situação mais recorrente e estúpida em filmes de terror com jovens, o fazendo por uma razão justa e emocional. Não chegaria a dizer que a participação de Patrick e Vera seja de luxo, dado que eles aparecem muito pouco no filme, pôr que se mostra eficaz aqui essa natureza de dependência da franquia se interligar, e sim, eles tem uma química em tela inegável, como poucos hoje no cinema em papéis tão reprisados.

O filme acaba tendo um sentido de novidade que é poucas vezes feito corretamente, onde tudo se resume a acontecer em uma casa, que por sua vez se revela um labirinto penetrado pelo mal, é um ponto que se destaca. Como um mantra, o uso da câmera em certas sequências sob a morada dos Warren é didática, passando uma sensação de continuidade em um ambiente tão banal e beneficia todo o resto homenageando essa característica específica de filmagem da franquia, reproduzindo também como todo esse mundo tem um gigantismo inventivo de criaturas demoníacas, três delas tem proeminência em certos momentos, ainda que veja apenas em um deles cacife para uma produção própria, o que já é costumeiro nesse universo. A única coisa que prejudica toda a projeção é a falta genuína de bons sustos, origem hoje de não termos um leque de filmes para venerar, mesmo que aqui Annabelle 3 – De Volta para Casa não se agarre por completo a “pulos de susto”, ele tem cenas bens construídas em momentos isolados, da qual destacaria a que envolve uma televisão, que por um todo e por pequenos detalhes não estavam por completo nos trailers.

Por isso, o talvez encerramento da história da boneca mais temida do mundo, Annabelle 3 – De Volta para Casa dá ânimo ao Universo de Invocação do Mal por ser no fim bem decente.

8/10

PS: Michael Cimino, que interpreta Bob, o interesse romântico de Mary Allen rouba a cena no mínimo que surge.


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Fã incondicional do cinema. Jornalista em formação.