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O Primeiro Homem: imersão, patriotismo e muita técnica na mais nova obra prima de Damien Chazelle

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É fato que Damien Chazelle é um dos melhores diretores de sua geração. Em seu primeiro filme da carreira, Whiplash, o diretor já foi reconhecido com indicações a melhor filme e melhor diretor no Oscar, e em La La Land, seu segundo longa, além das indicações, ele conseguiu se tornar o diretor mais jovem da história a levar a estatueta. Neste terceiro filme, o diretor sai um pouco da sua zona de conforto e vai explorar a primeira viagem do homem à Lua, mas ainda trazendo elementos dos outros dois longas e uma experiência imersiva com uma pegada documental que vai te deixar fascinado.

O longa acompanha o período da vida de Neil Armstrong de 1961 a 1969, desde a perda da sua filha e entrada na NASA até a missão que o levou à Lua. O filme vai traçando com maestria os dilemas entre sua vida pessoal e os sofrimentos que passa com a perda de colegas nas missões. O que pode incomodar um pouco é o apelo nacionalista impresso aqui, ainda vemos um pouco de como a população lida com a missão, fazendo protestos sobre todo o dinheiro que o Governo passou, mas ainda achei pouco e isso poderia ser mais explorado. A construção de seus personagens é um de seus maiores trunfos, o filme carrega um peso dramático até em suas cenas mais simples e nos transporta de maneira genial para tudo que o protagonista passa. Belíssimo trabalho de construção de personagens.

Isso nos leva a falar das atuações, que são brilhantes. Começando pelo Ryan Gosling, que mesmo sendo cedo pra dizer, deve beliscar indicações na temporada de premiações. Aqui ele atua com o olhar, sem precisar de diálogos, ele consegue transparecer medo, angústia, sofrimento, realização, cuidado e outras emoções de forma esplendorosa para o espectador. Claire Foy também está excelente, sendo muito mais do que apenas a mulher do protagonista. O drama dela ao não saber o que dizer aos filhos, as preocupações com Neil e as incertezas do futuro, elevam ainda mais o nível do filme. O elenco ainda conta com ótimos nomes como Kyle Chandler, Jon Bernthal, Corey Stoll, Brady Smith, Brian D’Arcy James, todos muito bem.

Tecnicamente o filme é um show à parte. Damien Chazelle conduz com maestria desde a cena inicial com uma fotografia granulada e uma pegada documental, nos colocando dentro da nave junto com o protagonista em uma sensação bastante claustrofóbica. O diretor utiliza muitos planos detalhes e câmera na mão, com um uso da câmera tremida como ela tem que ser, sem cortes excessivos e auxiliando à trama. A mixagem de som e trilha sonora são espetaculares, temos cenas também de profundo silêncio que tornam tudo ainda mais brilhante. A edição também não fica para trás, tudo é muito bem montado, com cortes e transições muito precisas. E, finalizando com a direção de arte maravilhosa, que nos transporta para dentro do universo do filme com ambientação, figurinos, maquiagem, tudo perfeito.

O Primeiro Homem” é uma obra prima, exagera um pouco no nacionalismo e tem uma duração um pouquinho maior do que deveria, mas faz tudo tão bem em termos de roteiro, edição, atuações e direção que deve ser reconhecido em várias categorias na temporada de premiações e nos fazem imaginar o futuro de Damien Chazelle como um dos grandes cineastas da história.

NOTA: 8.9


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23 anos, estudante de Jornalismo, apaixonado por cinema, séries e esportes