/O amadurecimento e refinamento do Arctic Monkeys em “Favourite Worst Nightmare”

O amadurecimento e refinamento do Arctic Monkeys em “Favourite Worst Nightmare”

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Quando paramos para pensar que hoje em dia o Arctic Monkeys demorou cinco anos para lançar um novo álbum, fica até difícil acreditar que lá no começo da carreira eles lançaram seu segundo disco apenas pouco mais de um ano após sua explosiva estreia. E é ainda mais surpreendente quando se leva em conta o quanto Favourite Worst Nightmare se difere do seu antecessor. Claro, ele não deixa de se mostrar uma sequência lógica em termos de sonoridade, mas ao mesmo tempo é o atestado de uma banda que não estava disposta a se repetir só porque acertou de primeira.

A produção já atesta essas mudanças, ao abandonar a crueza do Whatever People Say… e refinar o som do quarteto. Mesmo que as letras de Alex Turner continuem tão sarcásticas, melancólicas e poéticas como antes (evocando todas as diversões e dissabores da juventude), assim como faixas como Brianstorm, D is for Dangerous, Balaclava e This House is a Circus sejam perfeitos exemplos de que aquela energia juvenil de seu predecessor não foi perdida, a impressão geral é que a banda pegou essa energia e a aprimorou, como se quisessem mostrar que tinham algo mais a dizer. O amadurecimento é nítido aqui, assim como alguns sinais da grande mudança que viria a partir do disco seguinte, seja em faixas mais contemplativas como Only Ones You Know e peças mais complexas e psicodélicas como If you There Were, Beware e 505.

Entretanto, essas mudanças – algumas sutis, outras nem tanto – na sonoridade e direção não diminuem de forma alguma os méritos de Favourite…; muito pelo contrário, o engrandecem. Sou suspeito para falar, levando em conta que esse é meu álbum favorito da banda até o momento, mas ao longo das suas curtas 12 músicas (este é o álbum mais curto da banda, com apenas 37 minutos) fica nítido como eles estavam dispostos a irem além. A técnica dos quatro mantém-se altíssima; se muitos acusam bandas de indie, garage rock post-punk revival como medíocres musicalmente falando, o Arctic mostra que veio para quebrar essa roda. Quer um exemplo? Ouça a cozinha excepcional entre Matt Helders e o recém-chegado Nick O’Malley na bateria e no baixo, respectivamente, em “Balaclava”.

Ainda que o álbum demonstre algum cansaço ao chegar em The Bad Thing Old Yellow Bricks, isso nem de longe diminui o trabalho formidável que o Arctic realizou aqui. Com uma discografia tão sólida como a deles, escolher um álbum favorito ou o melhor é um trabalho extremamente subjetivo, mas mesmo com muitos apontando Whatever… como a obra-prima do grupo, não é difícil ver que seu segundo álbum contorna fácil o problema de se dar sequência a um disco de estreia tão aclamado, melhorando o que foi feito antes e buscando novos horizontes. Claro que ele não poderia dar aos fãs a exata dimensão da mudança drástica que viria dois anos depois com um certo Humbug, mas essa é uma outra história.

Faixas favoritas: Balaclava; If You There, Beware; 505

 


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