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CRÍTICA | ‘3%’ amadurece, mas tropeça nos mesmos problemas de antes

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Quantas estrelas merece esse texto?

3%‘, a primeira série brasileira da Netflix está de volta para a sua segunda temporada, que estreou na última Sexta (27 de Abril). E chegou a hora de saber o que mudou nessa temporada em relação ao primeiro ano.

Depois de passarem no processo, Michele (Bianca Comparato) e Rafael (Rodolfo Valente) chegam ao Maralto. Enquanto ela tenta convencer que largou a causa, ele tenta encontrar formas de ajudar o movimento de dentro do próprio Maralto. No continente, Joana (Vaneza Oliveira) se une a causa, enquanto Fernando (Michel Gomes) resolve se omitir dos movimentos e agir por conta própria.

É notável logo no início o aumento de orçamento que a série recebeu para essa temporada. Os cenários estão mais vivos, a fotografia é mais bonita, os efeitos visuais estão bem feitos e a adição do Maralto rendeu ótimos planos para ‘3%’.

A vida no Maralto é linda, com planos aéreos simétricos e com muito verde, destoando de todo o mundo fúnebre do lado do continente, que ao menos agora é mais palpável. Ainda é pouco explorada toda a questão geográfica do local, mas pelos últimos episódios, temos algumas noções bem básicas do que aconteceu ali.

No entanto, as evoluções técnicas não foram o bastante para maquiar os problemas básicos que a série carrega desde a primeira temporada, o principal deles é no roteiro. Os diálogos são vergonhosos, os personagens são unilaterais, e o excesso de plot twists deixa tudo muito artificial.

As atuações continuam fracas em sua maioria, mas nessa temporada tivemos a adição da Laila Garin que destoa completamente do restante do elenco. Ela nos traz toda a percepção de uma boa vilã sem se tornar algo caricato, um grande acerto da produção, gostaria de ver mais dela. Outras adições ao elenco são de Cynthia Senek e Thais Lago, ambas fazendo o básico do básico.

Uma coisa que gostei muito na temporada foi o fato de mostrarem um pouco do surgimento do Maralto e do casal fundador, ainda que não tenha sido muita coisa. Seria um grande acerto explorar mais isso nas próximas temporadas caso a série seja renovada.

Inclusive, a série toca em vários assuntos secundários sem se aprofundar em nenhum. As críticas a meritocracia são as que melhor funcionam aqui. Há algumas referências bem sutis a Black Mirror nos primeiros episódios e no final ficaram arcos em aberto para uma nova temporada, resta saber se os veremos.

A segunda temporada de ‘3%’ tem uma certa evolução técnica em relação a primeira, mas tropeça nos mesmos erros de antes. Se você gostou da primeira, deve gostar ainda mais dessa.


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23 anos, estudante de Jornalismo, apaixonado por cinema, séries e esportes