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A sintomática saída de ‘Supernatural’ da Netflix

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Quantas estrelas merece esse texto?

Primeiro a Fox, depois a Disney e mais recentemente, no fim do ano passado, a Warner. Todos esses três estúdios já encerraram os seus contratos com a Netflix e, diga-se de passagem, isso não é pouca coisa. Várias das séries mais assistidas em todo o mundo são propriedade desses estúdios e a não renovação do contrato recai diretamente sobre os assinantes da plataforma de streaming, na forma de retirada de grandes produções do catálogo.

A perda mais recente ocorreu hoje, 7 de maio, com a saída da série Supernatural. Talvez uma das séries mais longas ainda em produção atualmente e que conseguem continuar arrastando uma multidão de fãs por aí, Supernatural é um sintoma de um fenômeno que vem sendo observado na Netflix já há algum tempo.

Walter Benjamin, no início do século passado, falava sobre “a perda da aura da arte”, para se referir à banalização e à reprodução exacerbada das obras de arte que estavam ocorrendo naquela época, o que fazia com estas “perdessem” um pouco do seu valor. Fazendo uma comparação bem simplista (para não dizer porca), acredito que a Netflix perdeu bastante da sua “aura” e já te explico o porquê.

Quando penso nela atualmente, não penso com o mesmo carinho que pensava há uns dois anos atrás. Naquela época, abrir a Netflix era quase como abrir um paraíso de séries e filmes, no qual você se perdia pois não sabia a que iria assistir primeiro. Hoje em dia ainda há isso, afinal ela ainda é uma das maiores formas de ter acesso a produtos de entretenimento audiovisual; mas, a meu ver, em uma escala infinitamente menor. Grande das produções que anseio por assistir não estão mais disponíveis no catálogo da plataforma (algumas nunca estiveram, na verdade) e isso apenas causa uma frustração cada vez maior ao usuário, já que as sérias muitas vezes são retiradas com um (quase) inexistente aviso prévio.

Longe de mim querer ser uma saudosista e entendo perfeitamente o fato de que esse movimento aponta para um produção cada vez maior de conteúdo original. Mas, se for para ser assim, que seja um conteúdo original de qualidade. Atualmente encontramos na Netflix várias produções que são dignas de aplausos; só que, ao mesmo tempo, a impressão que dá é que está sendo disponibilizado o dobro de séries que não valem meia hora do seu tempo. De que me adianta saber que entraram 35 novos títulos apenas essa semana se não consigo tirar proveito de mais da metade deles?

E é nesse momento que percebo o quanto a saída de Supernatural do catálogo significa para nós assinantes da plataforma. Não apenas por ela, mas sim por todas as outras grandes produções que já deixaram ou deixarão de constar na lista de títulos e que, infelizmente, provavelmente muitos terão que recorrer à pirataria para ter acesso. Apenas espero, com todas as minhas forças, que esse fenômeno não passe disso: de um sintoma do qual a Netflix irá se recuperar em breve.

Ah, e antes que alguma coisa seja dita, não sou fã de Supernatural e, inclusive, nunca assisti a nenhum episódio da série.

 

P.S.: Isso daí foi porque eu estava pensando apenas nas séries, se for para falar dos filmes… é melhor deixar para outro texto.


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Aspirante a jornalista e amante da sétima arte.