/CRÍTICA: “Shazam!” é um filme de super-herói razoável, mas é um excelente filme de comédia

CRÍTICA: “Shazam!” é um filme de super-herói razoável, mas é um excelente filme de comédia

Compartilhe

CRÍTICA: “Shazam!” é um filme de super-herói razoável, mas é um excelente filme de comédia
4.9 (98.46%) 13 votes

Mais novo longa do universo da DC Comics chega aos cinemas nesta Quinta (4) e tem tudo para ser um sucesso entre todas as idades.

Deixando um pouco mais de lado o seu universo sombrio e realista, a DC Comics chega nessa semana com seu mais novo longa nas telonas. Se trata de “Shazam!”, que além de um filme de super-herói, é também um filme de comédia, e uma ótima comédia. Então chegou a hora de falarmos um pouco sobre o filme e o que ele tem para nos apresentar.

Billy Batson é um adolescente que cresce sem os pais depois de se perder de sua mãe na infância. Após cometer alguns pequenos delitos, ele é adotado por uma família e passa a conviver com outras crianças e adolescentes. Certo dia, Billy é transportado para uma espécie de templo, onde um bruxo lhe dá o poder de se transformar em um super-herói adulto ao pronunciar a palavra “Shazam!”. A partir daí começa uma jornada dele aproveitando sua vida de adulto e aprendendo sobre os poderes que é capaz de manipular, até que o vilão Dr. Thaddeus Sivana começa a atormentá-lo na tentativa de roubar seus poderes e se fortalecer ainda mais.

Nós podemos analisar esse filme por dois cenários em relação ao roteiro. O primeiro é envolvendo a comédia, pois o filme é bastante engraçado, do início ao fim. 90% das piadas aqui funcionam, e por mais que algumas sejam bobas, faz total sentido em relação a proposta do filme. As referências aqui também enchem os olhos dos fãs, e elas não são somente em relação ao universo da DC, mas a cultura pop em geral. Como um filme de comédia, Shazam é excelente, um dos mais engraçados dos últimos anos.

O segundo cenário envolve a construção e desenvolvimento da trama e dos personagens. Aí o filme começa a se tornar um pouco problemático. A cena onde o Billy se perde da mãe é bizarra de tão mal feita, as relações entre os personagens até funcionam, mas a forma como elas nascem não é nada orgânica. Também há bastante conveniências forçadas e um vilão que não agrega tanto peso a história, pois seu arco não é dos mais originais. Mas tudo isso não atrapalha tanto se  você levar em conta que o filme é uma comédia, e não levá-lo tanto a sério, o que mais atrapalha aqui é o fato de o protagonista ter personalidades completamente diferentes em sua versão criança e quando se transforma no super-herói, afinal, eles são a mesma pessoa, e esse erro não dá para passar batido.

Quanto as atuações, Zachary Levi dá um show ao manipular uma criança no corpo de um adulto. Ele é a pessoa perfeita para esse papel, além de ter bastante carisma. Já não podemos dizer o mesmo do Asher Angel, que não consegue acompanhar o mesmo nível de Levi. Outros destaques são Jack Dylan Grazer, que faz o irmão adotivo e ajudante do Billy, a dinâmica entre os dois é muito boa e eu gostaria de ver mais do que esse garoto tem a mostrar, e o Mark Strong tem uma boa imponência de vilão, apesar de o roteiro não o favorecer muito.

Tecnicamente o filme é razoável, sem ter nada de extraordinário, o diretor David S. Sandberg, que vem do terror com filmes como Lights Out e Annabelle 2, faz um bom trabalho de manter o balanço de tom entre uma aventura e uma comédia. O filme até tem um pouco dos elementos de terror, mas duram bem pouco. O ritmo do filme funciona muito bem com uma montagem dinâmica e precisa para alternar entre os balanços que o longa tem, exceto nas cenas de ação que a montagem se perde um pouco.

A fotografia se utiliza de uma boa mise-en-scène para evocar o timing cômico, a trilha sonora é funcional, mas um pouco repetitiva, e ainda traz a clássica “Don’t Stop Me Now” do Queen, que apesar de combinar com quase tudo, é uma das músicas mais utilizadas no cinema, o que tira bastante sua originalidade. Os efeitos visuais são bastante limitados, é possível ver claramente que os atores estão atuando em um fundo verde, principalmente nas cenas de voo, e o CGI usado nos monstros que acompanham o vilão são no máximo decentes. No geral, o trabalho técnico é todo ok.

Não espere um filme grandioso de “Shazam!”, todo o trabalho técnico e narrativo é bem simples, mas que também tem seu valor. Leve em consideração que é um filme de comédia, e como comédia, ele funciona mais do que bem. É divertido, muito engraçado, cheio de referências e que vai te fazer sair do cinema com um sorriso no rosto. Ah, e antes que eu me esqueça, o filme tem duas cenas pós-créditos e uma participação bem especial no final.


Compartilhe

23 anos, estudante de Jornalismo, apaixonado por cinema, séries e esportes