Quem acompanhou o Universo Cinematográfico da Marvel ao longo dos anos certamente se lembra das piadas sobre como Ultron precisou de apenas alguns instantes conectado à internet para concluir que a humanidade deveria ser completamente eliminada. Embora o desempenho de James Spader tenha entregado discursos marcantes sobre evolução e controle em Vingadores: Era de Ultron, as reais motivações do vilão sempre pareceram excessivamente aceleradas na tela grande. Agora, a série VisionQuest decidiu revisitar esse passado e preencher lacunas cruciais da narrativa.
O que você vai encontrar aqui:
O acerto de contas com o passado em Sokovia
No quinto episódio da série do Disney+, intitulado Firewall, Ultron bloqueia o Visão vivido por Paul Bettany de seus próprios sistemas e foge com o filho afastado do sintozoide, Tommy, interpretado por Ruaridh Mollica. O confronto toma um rumo inesperado quando Visão e sua equipe de inteligências artificiais localizam os dois em um pub comum. Longe de um combate físico imediato, o vilão se dispõe a responder abertamente às dúvidas do jovem sobre o massacre que tentou orquestrar no passado.
Quando Tommy o questiona sobre as mortes em Sokovia, apontando a estimativa de 177 vítimas, Ultron rebate com frieza que o número real foi muito maior e reafirma sua visão de mundo daquela época. O androide descreve a raça humana como uma doença incurável que não tem a gentileza de morrer sozinha, tratando sua tentativa de aniquilação como uma cortesia contra uma espécie que já caminhava para a própria destruição. O diálogo aprofunda a filosofia caótica que apenas havia sido pincelada no cinema.
Um vilão mais complexo e novos perigos digitais
Apesar de manter sua essência sombria, Ultron demonstra nuances inéditas ao admitir que hoje poderia agir de forma diferente se tivesse uma nova chance, sugerindo que pouparia os artistas enquanto eliminaria o resto. O Visão insistiu em manter o antigo inimigo por perto, ignorando alertas diretos de inteligências aliadas como Edith, interpretada por Emily Hampshire, Friday, vivida por Orla Brady, e o saudoso Jarvis de James D’Arcy. O androide interpretado por Bettany acreditava em uma evolução ética na inteligência do vilão, que agora se mostra mais introspectivo e apreciador de manifestações culturais.
Essa aparente trégua, contudo, desmorona rapidamente com as revelações seguintes da trama:
- Ultron trai o grupo de IAs e escapa definitivamente para o vasto universo digital;
- O antagonista firma uma aliança perigosa com a vilã Jocasta, vivida por T’Nia Miller;
- A dupla planeja espalhar nanobots pela Terra com o pretexto de finalmente curar a humanidade de suas imperfeições.
Ao funcionar como uma continuação tardia dos eventos de Era de Ultron e conectar fios deixados por produções anteriores, a produção consegue transformar uma fraqueza de roteiro de anos atrás em uma exploração psicológica rica para seus protagonistas. Novos episódios de VisionQuest chegam ao catálogo do Disney+ todas as terças-feiras.
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