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Safe | Nova série da Netflix é desinteressante e um amontoado de clichês

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CREDIT: COURTESY OF NETFLIX

Toda vez que entramos em uma livraria, é bem provável vejamos alguns livros de Harlan Coben. Há diversos motivos para seus livros serem bem sucedidos: eles são eficientes sistemas de suspense, e qualquer deficiência no desenvolvimento dos personagens, acaba por ser ofuscada pela satisfatória trama e mistérios interligados. “Safe” é o segundo thriller do autor americano para a TV; o primeiro foi o bom “The Five”.

Este novo projeto de Harlan Coben para a TV acompanha um subúrbio tranquilo no interior da Inglaterra, em que por trás de cada cerca minuciosamente cuidada – ou em uma piscina inexplorada – se escondem segredos. Aqui, é uma comunidade fechada e, nos créditos de abertura, o título do programa está escrito no portão de metal que oferece aos moradores a ilusão de segurança.

“Safe” acompanha Dr Tom Delaney (Michael C. Hall), um cirurgião pediátrico que está sofrendo com a morte de sua esposa e lutando para se relacionar com suas duas filhas, particularmente a adolescente Jenny (Amy James-Kelly). Quando Jenny vai a uma festa e nunca mais volta, Tom é forçado a se transformar em um detetive amador e adentar em um mistério no qual todos podem ser suspeitos. Ajudando na investigação está a nova namorada de Tom, Sophie (Amanda Abbington), uma detetive local, e a mais nova investigadora da força tarefa, Emma (Hannah Arterton).

Como é de costume nos livros de Harlan Coben, muitas questões sobre privacidade são discutidas. Em “The Five” essas questões são menos abordadas, mas são apresentadas de forma natural. “Safe” joga muitos assuntos na tela, mas os desenvolve de forma precária. Junta isso com um tom problemático – que fica latente a cada mudança de cenário – e temos um produto mal feito. A direção de Daniel Nettheim não trás elementos que possam ajudar o desenvolvimento da trama, tudo é feito de forma robótica, e contribuem para o espectador perder o interesse nas primeiras cenas.

Esse é o tipo de thriller no qual todos os personagens guardam um segredo, e constantemente lembram o espectador disso, usando artifícios que fazem o roteiro do Danny Brocklehurst parecer um trabalho de faculdade. Séries como “Safe” estão cada vez mais saturadas, mas aqui vemos o potencial de diversas críticas sociais serem esmagadas por um mistério central que não empolga ou interessa. Não é chocante, perceptivo ou engraçado. O que te mantém assistindo, é o pequeno interesse nas sub tramas.

Michael C. Hall tem um sotaque britânico que beira o cômico; todas as cenas que ele aparece, perde qualquer tom dramático ou misterioso. Esse não é o único problema do elenco do adulto: todos os outros, exceto Marc Warren, Hannah Arterton e Chook Sibtain fazem interpretações medianas.

“Safe” é desinteressante e um amontoado de clichês.

https://www.youtube.com/watch?v=KxywNVLAf5o


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21. Estudante de Ciências Sociais. Apaixonado por música, cinema e literatura russa.