/A explosão sônica dos Arctic Monkeys em “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not”

A explosão sônica dos Arctic Monkeys em “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not”

Compartilhe

Quantas estrelas merece esse texto?

Lá se vão mais de 15 anos desde que o Arctic Monkeys surgiu. Oriunda dos subúrbios de Sheffield, na Inglaterra, o quarteto tinha na sua formação original Alex Turner (vocais, guitarras, teclados), Matt Helders (bateria), Jamie Cook (guitarra) e Andy Nicholson (baixo), este último tendo sido substituído por Nick O’Malley a partir de 2006.

Entre singles, EPs e uma massiva divulgação na internet (um dos primeiros casos do gênero, numa época onde isso passava longe de ser comum como é hoje), os macacos do Ártico finalmente lançaram seu disco de estreia em janeiro de 2006. E que disco. Whatever People Say I Am, That’s I’m Not é facilmente um dos discos de estreia mais poderosos já feitos no rock, produto da mente de quatro jovens ingleses febris que souberam como poucos transmitir o poder e a rebeldia da juventude através do seu som pesado, distorcido e incansável, o qual fez deles um dos marcos da música indie – mesmo que viessem a mudar drasticamente sua sonoridade nos álbuns seguintes, alienando uma boa parcela dos fãs.

Essa rebeldia já é capturada na icônica capa do disco – um homem (Chris McClure, amigo da banda) tragando seu cigarro. A capa atraiu um bocado de controvérsia na Inglaterra, com muitos acusando a banda de glorificar o uso do cigarro. Se é verdade ou não, difícil saber, mas o fato é que as treze músicas do álbum, diretas e sem firulas, verdadeiros socos no estômago em sua maioria com o peso e a distorção, pouco fizeram para mudar a imagem já cimentada pela capa.

Transitando entre o indie rock, o rock de garagem e o post-punk revival em voga nos anos 2000 graças à bandas como The Strokes, The White Stripes, The Killers, Franz Ferdinand e outras, o AM dizia a que veio em músicas curtas, furiosas e ensurdecedoras, com poucos momentos de respiro. Nesse sentido, é impossível não citar o trabalho fenomenal de Matt Helders na bateria, capaz de canalizar toda essa energia jovem que a banda visava transmitir (e que vivia, uma vez que seus membros estavam na faixa dos 20 anos quando do lançamento do álbum), bem como de Andy Nicholson com linhas impetuosas de baixo – vide suas performances de apoio em The View from Afternoon ou From the Ritz to the Rubble.

Mas não tem jeito: o astro dos Arctic Monkeys é definitivamente seu líder, Alex Turner. Foi ele, suas letras poéticas, infames e ricas e sua entrega vocal intensa e rápida que elevaram a banda de “apenas mais uma banda indie” para uma das principais, senão a principal, do gênero. Alternando entre uma voz anasalada e rouca, ou a elevando quase ao nível de gritos para na música seguinte cantar quase como uma súplica, ele é aquele quem faz todas as incongruências e loucuras da juventude ser efetivamente transposta para a música, causando com o ouvinte aquele rápido e eficaz sentimento de identificação (e aqui preciso fazer uma menção à criatividade incrível de Turner em nomear suas músicas, com títulos como I Bet You Look Good on the Dancefloor, You Probably Couldn’t See for the Lights But You Were Staring Straight at Me e Perhaps Vampires Is a Bit Strong But…).

O melhor de tudo é analisar sua performance aqui e compará-la com as que ele traria para os discos posteriores, apresentando uma maturidade que, por mais que faça muitos fãs torcerem o nariz (especialmente os que queriam que a banda permanecesse na mesma sonoridade agressiva e juvenil deste primeiro disco), é mais do que coerente com a evolução sonora da banda. Ainda que Whatever… não seja o meu disco favorito da banda – esse posto pertence ao seu sucessor -, ainda é um verdadeiro marco do gênero, um disco para o qual é impossível ficar indiferente.

Cause all you people are vampires
And all your stories are stale
And though you pretend to stand by us
I know you’re certain we’ll fail

Faixas favoritas: The View from Afternoon; Perhaps Vampires Is a Bit Strong But…; From the Ritz to the Rubble


Compartilhe