/5 músicas que embalaram a Seleção Brasileira (e o país) em Copas do Mundo!

5 músicas que embalaram a Seleção Brasileira (e o país) em Copas do Mundo!

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Sim, a Copa do Mundo 2018 está logo ali! Apesar de a última lembrança dos brasileiros na competição ser terrivelmente desagradável (obrigado, Alemanha), é inegável dizer que o torneio da FIFA é um pedaço definitivo da nossa história, da nossa identidade nacional e principalmente da nossa cultura, onde de quatro em quatro anos o país literalmente para e celebra o futebol durante um mês inteiro, como se fosse um carnaval no meio do ano.

Dessa forma, tamanha festa não poderia ficar sem seu segundo elemento principal: a música (depois do futebol, obviamente). Ao longo de 20 participações, foram inúmeras canções que embalaram o canarinho em seus jogos históricos e campanhas hegemônicas, algumas delas com interesse político, outras apenas com o brilho puro da celebração.

Pensando nisso, a Odisseia Pop elaborou uma lista com as cinco músicas que mais marcaram as vitoriosas campanhas de 1958, 1970, 1994 e 2002, e a sempre lembrada campanha de 1982. Confira com a gente esse especial sobre futebol, música e história para entrar de vez no clima da Copa da Rússia!

A taça do mundo é nossa! – 1958

Após ter feitos boas campanhas nas primeiras copas, e ter sido dolorosamente vice dentro de casa em 1950, a taça finalmente veio para o Brasil. Na Copa de 1958, disputada na Suécia, foi a vez dos brasileiros comemorarem após uma espetacular campanha que estreou novatos como Pelé e Garrincha, somados a nomes como Nilton Santos, Vavá, Bellini, Castilho, Didi e muitos outros.

Aquele time, talentoso, organizado e fazendo arte, foi responsável por construir toda a cultura e identidade do futebol brasileiro que ganhariam o planeta para sempre, e dessa forma, a inesquecível marchinha composta por Wagner Maugeri, Lauro Müller, Maugeri Sobrinho e Victor Dagô foi a grande trilha-sonora desse momento, que ficou marcado para a eternidade no imaginário popular nacional.

Afinal, “A taça do mundo é nossa/Com brasileiro, não há quem possa”, trecho que ainda viria a se tornar a mais pura e absoluta verdade em muitas outras situações posteriores.

Pra frente Brasil – 1970

Talvez o item mais relevante e com maior peso histórico nesta lista. Afinal, estamos falando da grande Copa de 70, do tri, do maior esquadrão que esse mundo já viu jogar, mas também estamos falando da era da Ditadura Militar e sua propaganda nacionalista.

A Copa de 1970, feita no México, foi a mais épica das copas: a despedida de Pelé, problemas políticos tanto no país quanto na seleção, os inúmeros craques, a campanha absurda, o primeiro tricampeão de Copa, o roubo da taça e tudo isso embalado pelos fortes versos que exaltavam o país.

Noventa milhões em ação / Pra frente, Brasil, do meu coração (…) De repente é aquela corrente pra frente / Parece que todo o Brasil deu a mão (…) Todos juntos, vamos, pra frente, Brasil”. Na época, o país era governado pelo general Médici e a ditadura experimentava o auge de seu poder, se utilizando da forte propaganda ufanista para ressaltar o sentimento patriota do povo, e a copa foi um prato cheio. O general tentou até mesmo interferir na escalação do time que iria ao México, mas foi impedido pelo célebre técnico João Saldanha (ligado ao partido comunista), que em seguida foi substituído por Zagallo que pegou seu time montado e deu um segmento incrível.

Pelé, Tostão, Rivellino, Dirceu, Carlos Alberto Torres, Félix, Jairzinho, a lista tinha craques imensos em todas as posições e teve a melhor campanha da história (sete jogos, sete vitórias e 19 gols!!). O título, primeira vez que um país era tricampeão do mundo, caiu como uma luva para o governo militar, que usou como uma grande propaganda para mostrar o orgulho de ser brasileiro e de como o país supostamente progredia sob a administração da ditadura.

Povo Feliz (Voa Canarinho) – 1982

A Copa de 82, na Espanha, pode ser hoje uma péssima lembrança para os brasileiros, afinal, aquele time que foi eliminado pela Itália na chamada “Tragédia do Sarriá”, jogou um futebol incrível, ofensivo e que ficou marcado como uma das melhores seleções da história do país.

Comandados pelo mestre Telê Santana, nomes como Zico, Sócrates, Falcão e Cerezo foram responsáveis por fazer 15 gols em 5 jogos, uma marca absurda e que fez com que o Brasil voasse até tropeçar diante do duro time de Paolo Rossi.

“Voar”, essa foi a expressão para caracterizar o que aquele time fazia em campo, e que foi usada nos versos do samba eternizado na voz do lateral Júnior.

A música virou símbolo de um Brasil que fazia arte e história nos gramados, e fez tanto sucesso que vendeu cerca de 650 mil cópias vendidas. A taça pode não ter ficado com a gente, mas sem dúvida aquele foi o melhor Brasil que o mundo tinha visto desde os tempos de Pelé.

Coração Verde e Amarelo – 1994

Quem viu a Copa de 1994, nos Estados Unidos, certamente sabe que música é esta. Até mesmo quem não viu conhece, afinal, a Rede Globo a utliza até hoje como vinheta de futebol em suas transmissões.

Talvez a seleção mais improvável a conquistar a Jules Rimet, o time comandado por Parreira foi alvo de muitos questionamentos e sofreu muito para conseguir se classificar, apresentando um futebol duro, fechado e muito diferente do que o torcedor brasileiro tinha se acostumado a presenciar, talvez até mesmo por isso as críticas a esse time existam até hoje.

Mas fato é que o esquadrão de Romário, Bebeto, Dunga, Branco & cia nos levaram ao tetra e calaram a boca de todos, por terem enterrado o mito de que o Brasil só era campeão com Pelé.

No calor do verão americano, com Galvão Bueno na narração, os brasileiros comemoravam cada gol da dupla Romário-Bebeto, cada classificação sofrida, cada defesa de Taffarel, tudo isso ao som de “Eu sei que vou/Com o coração batendo mil/É taça na raça Brasil!

E que raça! A copa foi sofrida até na final, em que o Brasil foi campeão sobre a Itália nos pênaltis, onde bordões como “Vai que é tua Taffarel!” e “É Tetra!” ficaram tão eternizados na memória afetiva do país quanto a famosa canção que é reprisada todos os anos na Globo até hoje.

Festa – 2002

A única música a lista que não foi feita exclusivamente para a Copa e nem para a seleção, mas tão marcante quanto qualquer outra já citada até aqui. A Copa do Mundo de 2002, a primeira disputada em dois países (no caso, Japão e Coréia do Sul) foi exatamente o que o axé da rainha Ivete Sangalo dizia: uma festa do gueto, de todos ritmos e cores, com um Brasil “galático” formado por Cafu, Ronaldo, Rivaldo, Roberto Carlos, um jovem Ronaldinho Gaúcho, entre outros inúmeros atletas que se tornaram verdadeiras celebridades mundiais após a conquista.

Muitas coisas foram marcantes naquela Copa: uma competição na Ásia, os brasileiros acompanhando os jogos que aconteciam no meio das madrugas (devido ao fuso-horário), um time que venceu todos os jogos como o esquadrão de 70, a superação de Ronaldo após a trágica final de 1998, enfim, um torneio inesquecível. Para se ter uma noção do tamanho da importância da canção, o técnico Felipão, comandante do penta, colocava “Festa” para tocar nos vestiários com a intenção de motivar o elenco antes das partidas, também tendo se tornado o hino da comemoração do título do último Brasil que ficou marcado na história das Copas do Mundo.


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Estudante de Jornalismo, redator e aficionado por cultura, seja no cinema, na música ou até mesmo no esporte.