Pular para o conteúdo

Reflexões de Dor: O Impacto de Polytechnique no Cinema Canadense

Reflexões de Dor: O Impacto de Polytechnique no Cinema Canadense
Avalie este artigo

O filme “Polytechnique”, lançado em 6 de fevereiro de 2009, é uma das obras mais impactantes e controversas do diretor canadense Denis Villeneuve. Antes de conquistar Hollywood com sucessos como “Blade Runner 2049” e “Dune”, Villeneuve já havia trazido à luz histórias intensas em sua terra natal, Quebec. Entre elas, “Polytechnique” se destaca como uma representação sombria de um evento real: o massacre na Escola Politécnica de Montreal em 1989, onde um atirador misoginia tirou a vida de quatorze mulheres.

A polêmica em torno do filme gira em torno da forma como ele aborda um assunto tão delicado. Enquanto alguns críticos consideraram inadequada a recriação cinematográfica de uma tragédia real, outros elogiaram a abordagem sensível de Villeneuve, que busca não apenas retratar a violência, mas também oferecer uma reflexão sobre o sexismo estrutural que permeia a sociedade.

**Uma recriação não linear da tragédia**
“Polytechnique” utiliza uma narrativa não linear e nos apresenta os eventos do massacre pela perspectiva de dois estudantes de engenharia, Valérie e Jean-François. A trama inicia-se com o atirador se preparando para seu ataque, enquanto a história segue os protagonistas em seu cotidiano acadêmico. O massacre se inicia em uma sala de aula, onde o atirador ordena que os homens deixem o espaço, mantendo apenas as mulheres, exatamente como ocorreu na realidade.

O filme, com uma duração de 77 minutos, revisita os momentos antes e depois do ataque, mostrando como os personagens lidam com o trauma e a culpa. Valérie, que sobrevive ao massacre, enfrenta seu próprio medo e a luta para seguir em frente, enquanto Jean-François tenta avisar as autoridades e ajudar os feridos.

**Reflexão sobre o sexismo**
Além da narrativa principal, “Polytechnique” vai além, revelando a crítica social sobre o tratamento das mulheres. Em uma cena, Valérie participa de uma entrevista de emprego em que o entrevistador expressa surpresa que ela queira trabalhar em uma área predominantemente masculina. Essas interações demonstram que o ideário do atirador está enraizado no cotidiano e na cultura machista, sugerindo que a ideologia de violência contra mulheres é parte de um contexto mais amplo.

Leia Agora  Superman e Godzilla: O Duelo Que Poderia Mudá-los Para Sempre

**Estilo e recepção**
O estilo visual do filme, filmado em preto e branco, é uma escolha deliberada de Villeneuve para enfatizar a gravidade dos eventos retratados, tornando a violência menos sensacionalizada e mais crua. A cinematografia se torna um personagem à parte, com ângulos incomuns e movimentos de câmera que colocam o espectador dentro da experiência dos personagens.

A recepção ao filme foi ambivalente. Enquanto alguns críticos o consideraram perturbador e sem uma perspectiva clara, outros, como a crítica Nathalie Petrowski, o defendendo como uma obra necessária e poderosa. Apesar das controvérsias, “Polytechnique” foi bem-sucedido nas bilheteiras e conquistou prêmios significativos, incluindo nove Genie Awards, reconhecendo sua importância na cinematografia canadense.

Assim, “Polytechnique” não é apenas um filme sobre uma tragédia; é uma análise incisiva sobre questões sociais que ainda reverberam na sociedade. Villeneuve conseguiu criar uma obra que busca honrar as vítimas e provocar reflexão, sendo também um marco em sua carreira, mostrando sua capacidade de abordar temas complexos e pesados de forma sensível e eficaz.

Marcações: