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Quando The Twilight Zone adaptou um radiofonico de Welles

Quando The Twilight Zone adaptou um radiofonico de Welles
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A grandiosidade de uma série antológica muitas vezes reside na forma como ela dialoga com outros meios de entretenimento. No caso de The Twilight Zone, aclamada como a maior série antológica de todos os tempos, um dos momentos mais marcantes de sua primeira temporada nasceu diretamente das ondas do rádio. O criador Rod Serling ouviu uma apresentação radiofônica conduzida por Orson Welles e percebeu ali o material perfeito para a televisão, dando origem ao décimo sexto episódio do primeiro ano, intitulado O Carona.

Na trama da adaptação televisiva, acompanhamos Nan Adams, interpretada por Inger Stevens. A personagem sobrevive a um violento acidente automobilístico quando seu carro sai da estrada. Contudo, ao retomar sua viagem rumo a outra costa do país, Nan passa a notar a presença constante de um homem misterioso e mal vestido, que insiste em reaparecer no seu caminho e pedir carona. O desfecho entrega uma das reviravoltas mais brilhantes da história da televisão, revelando que a protagonista jamais sobreviveu ao acidente e que o carona persistente é, na verdade, a própria Morte vinda para recolher sua alma.

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A origem real e o rádio

Antes de aterrissar na telinha, O Carona foi concebido como um drama radiofônico escrito por Lucille Fletcher especialmente para Orson Welles. A estreia ocorreu em 1941 no programa The Orson Welles Show, com passagens posteriores por atrações famosas como Suspense, The Philip Morris Playhouse e The Mercury Summer Theatre of the Air. Ao comprar os direitos de Fletcher, Rod Serling promoveu algumas alterações para a linguagem televisiva: o acidente foi transferido de Nova York para Pensilvânia e o protagonista masculino original foi transformado em uma mulher, embora o enredo central tenha sido mantido fiel.

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Polêmica com a autora

A gênese da história veio de um evento real vivido por Fletcher durante uma mudança de Nova York para a Califórnia ao lado de seu então marido, o compositor Bernard Herrmann. O casal avistou um homem de aparência estranha na Ponte do Brooklyn e, mais tarde, na Rodovia Pulaski, sem nunca mais vê-lo. A imagem assustadora virou um conto de fantasmas estruturado sob medida para a voz marcante e as técnicas sonoras inovadoras de Orson Welles, contando inclusive com trilha sonora composta por Herrmann, que acabou reaproveitada no seriado.

Apesar da aquisição legal dos direitos por Serling, a autora Lucille Fletcher revelou posteriormente que nunca foi avisada sobre a adaptação televisiva nem consultada a respeito da troca de gênero do protagonista. Em declarações registradas no livro The Twilight Zone Companion, Fletcher expressou seu completo descontentamento com a mudança não autorizada, argumentando que o impacto dramático acabou reduzido e que a escalação de uma atriz não acrescentou nada de relevante à sua concepção original, apesar de reconhecer o talento na atuação de Inger Stevens.