A guerra fria entre os herdeiros de Michael Jackson e a cúpula que administra seu império póstumo atingiu um novo ponto de ebulição nos tribunais da Califórnia. Paris Jackson, filha do astro pop, voltou a confrontar diretamente o executor do patrimônio familiar, John Branca, denunciando a ausência de transparência na prestação de contas dos últimos anos e solicitando judicialmente um corte severo nos honorários de administração.
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Disputa por dezenas de milhões e falta de relatórios
Na petição protocolada perante a Corte Superior de Los Angeles, a equipe jurídica de Paris sustenta que Branca violou uma determinação judicial emitida em abril de 2026 ao descumprir prazos autoimpostos para entrega de documentações contábeis. Os advogados alegam que os relatórios financeiros de 2023 foram submetidos de forma incompleta, enquanto os de 2024 funcionaram apenas como demonstrativos vazios, sem fundamentação para aprovação judicial.
O aspecto mais explosivo do documento gira em torno das cifras solicitadas pela gestão. A equipe de Paris destaca que, apesar de anos de atraso para formalizar os livros fiscais, os administradores solicitaram a liberação de mais de cem milhões de dólares em remuneração destinada aos coexecutores e à firma Ziffren. Como retaliação pela falta de clareza, a herdeira pediu que a justiça reduza a taxa de gestão cobrada sobre as receitas brutas de entretenimento de 15% para 10% a partir do exercício de 2023.
Reação enérgica do espólio e antecedentes da batalha
A resposta da administração do espólio veio em tom ríspido, classificando os pedidos como totalmente desprovidos de mérito factual. A representação legal do patrimônio alegou que os executores sempre abriram mão da remuneração de execução padrão e que recebem exclusivamente uma taxa gerencial determinada em juízo pelo trabalho de reerguer uma marca que, na morte de Michael em 2009, acumulava centenas de milhões em dívidas e hoje vale bilhões.
Paris Jackson, que ao longo dos anos já teve acesso a valores em torno de 65 milhões de dólares, mantém histórico de atritos por questionar gastos milionários da gestão, incluindo despesas pesadas com regravações da cinebiografia dirigida por Antoine Fuqua devido a impasses contratuais antigos. Com uma audiência decisiva marcada para o início de dezembro perante o juiz Mitchell Beckloff, e os preparativos para uma sequência do filme biográfico bilionário em andamento, as tensões internas na dinastia Jackson continuam longe de um acordo pacífico.

