**Conclave: Uma Visão do Processo de Escolha de um Novo Papa**
Após a morte do Papa Francisco na segunda-feira de Páscoa, aos 88 anos, o filme “Conclave”, lançado em 2024 e dirigido por Edward Berger, ganhou destaque e renovou o interesse do público. Esta produção oferece uma versão ficcionalizada do processo de escolha do novo líder da Igreja Católica e traz um elenco notável, incluindo Ralph Fiennes, Isabella Rossellini, Stanley Tucci e John Lithgow. Apesar da Câmara Secreta se envolver em um ambiente de mistério, é natural questionar a precisão do que é retratado na película.
O filme se esforçou para manter a autenticidade em relação a trajes, locações e cerimônias do conclave, apesar de o processo ter sido envolto em sigilo por séculos. Pesquisas indicam que, embora alguns elementos da narrativa sejam irreais, “Conclave” proporciona uma fascinante visão sobre o intrigante mundo do Vaticano e a escolha de um novo Papa.
**Baseado no Romance de Robert Harris**
“Conclave” é baseado no romance homônimo de 2016, escrito por Robert Harris, um autor renomado de ficção histórica. Harris, que começou sua carreira em não-ficção e jornalismo, busca equilibrar a precisão histórica com uma narrativa envolvente. Para esse projeto, ele trabalhou junto ao falecido cardeal inglês Cormac Murphy O’Connor, que participou dos conclaves de 2005 e 2013, proporcionando uma visão valiosa do ocorrido. O roteiro, assinado por Peter Straughan, ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado em 2025. Straughan, conhecido por explorar temas históricos em seus trabalhos anteriores, fez uma adaptação direta do livro, mudando apenas o nome do cardeal Lomeli para Lawrence, a fim de se adequar ao talento de Fiennes.
**Divisões Políticas Refletidas no Filme**
Dentro da trama, o Cardeal Lawrence lidera o conclave, onde cardeais se reúnem em segredo para eleger um novo Papa. O filme retrata divisões políticas significativas, com alguns cardeais defendendo ideias conservadoras e outros desejando continuar o legado progressista do falecido Papa Francisco. Essa tensão é ainda mais pertinente considerando a abordagem humanista de Francisco, gerando questionamentos sobre os rumos futuros da Igreja.
Críticos levantaram pontos sobre a secularização da Igreja no filme, comparando-a a um contexto político americano. Figuras como o bispo conservador Robert Barron criticaram a obra por sua mensagem “woke”, enquanto o crítico de cinema católico Zachary Lee elogiou-a por promover “uma chamada para uma renovação na espiritualidade caracterizada por humildade e dúvida”. A diversidade ideológica dos cardeais da vida real espelha a variação apresentada na película, o que torna essa fase da história da Igreja especialmente desafiadora.
**Rituais Precisos do Conclave**
Os pesquisadores confirmaram que muitos rituais e tradições em “Conclave” são fidedignos, desde os cardeais fumando antes das deliberações até os procedimentos de votação que ocorrem na Capela Sistina. A reconstituição das locações é notável, destacando a beleza da capela e o Domus Sanctae Marthae, onde os cardeais se hospedam. Detalhes como a selagem do quarto do Papa falecido, a verificação de dispositivos de escuta, os votos em latim e a utilização de fumaça colorida para indicar decisões foram representados de forma cuidadosa.
Contudo, o filme simplificou alguns elementos, como o número de votações diárias, que na realidade são duas, e não uma. Essa adaptação para um único voto busca facilitar a narrativa, mas modifica a realidade processual.
**Inadequações Menores no Roteiro**
Entre as discrepâncias, destaca-se a representação do anel do Papa, que é destruído logo após a morte no filme. Na realidade, existe uma cerimônia específica para essa destruição, que garante que não haja declarações oficiais que possam surgir antes da eleição do novo Papa. Essa omissão pode ter sido necessária para manter o ritmo narrativo, mas seria fascinante observar essa cerimônia em tela.
**Cardeal Benitez e o Erro Mais Notável do Filme**
O maior desvio da realidade em “Conclave” é a inclusão do Cardeal Benitez, que participa do conclave apesar de ter sido nomeado em segredo. Segundo o analista Thomas Reese, a entrada de um cardeal “em pectore” na reunião é uma violação das regras, pois somente aqueles anunciados publicamente podem participar. Portanto, a aceitação de Benitez no conclave, como mostrado no filme, não é plausível.
A narrativa culmina em um final surpreendente, cujas escolhas geram debates acalorados entre os católicos, provando que a questão da precisão está na perspectiva de quem assiste.
Filmes, séries, músicas, bandas, clipes, trailers, críticas, artigos, uma odisseia. Quer divulgar o seu trabalho? Mande seu release pra gente!
