**Chisum: Um Western Insubstituível e Possivelmente o Melhor Filme de Guerra dos Anos 70**
Lançado em 29 de julho de 1970, “Chisum” é um filme que, ao longo dos anos, conquistou um status de subestimado no vasto universo do cinema, especialmente entre os filmes de guerra da década de 70. Este longa-metragem, estrelado por John Wayne, se destaca na filmografia do ator, que sempre foi associado ao gênero Western. Com a ascensão dos Westerns revisionistas, que apresentavam heróis mais complexos e uma abordagem diferente da velha fronteira, “Chisum” emerge como um ponto de interseção entre o clássico e o novo.
**Um Conflito que Reflete a Realidade**
Ambientado no contexto da Guerra do Condado de Lincoln, o filme traz John Wayne na pele de John Chisum, um magnata fronteiriço que se vê em meio a uma grande batalha contra a corrupção. Dirigido por Andrew V. McLaglen, a narrativa aborda a luta de Chisum contra Lawrence Murphy, interpretado por Forrest Tucker, que, apoiado por políticos corruptos, visa tomar posse das terras e propriedades da região. Enquanto Murphy acredita que o fim justifica os meios, Chisum representa uma resistência diante da ganância e da injustiça, se colocando em defesa de valores morais que definem a visão idealista que ele possui do Oeste.
**Um Olhar Diferente Sobre a Guerra**
Ao contrário de muitos filmes de guerra que criam um confronto simplista entre “nós” e “eles”, “Chisum” oferece uma perspectiva mais introspectiva e ações motivadas por questões pessoais e comunitárias. O filme reflete a desilusão típica da década, em um contexto onde as características de um herói convencional são desafiadas. Chisum é um personagem que preza pela justiça e pela integridade, lutando não apenas por sua supervivência, mas por um ideal maior de civilização e moralidade.
**A Crítica à Corrupção e a Luta Pessoal**
O filme destaca a luta de Chisum pela defesa de suas terras e pela dissociação de figuras corruptas. A colaboração de Chisum com Billy the Kid, interpretado por Geoffrey Deuel, acrescenta uma nova camada à sua jornada. Em momentos críticos, ele demonstra ser um homem que, mesmo após seus passos na vida de pistoleiro, busca uma alternativa à violência, optando por buscar soluções legais e justas. Contudo, à medida que a pressão aumenta, ele é levado a adotar uma postura mais agressiva para lidar com a situação, refletindo as tensões internas e a insatisfação com as instituições de sua época.
**O Legado de “Chisum” na Filmografia de John Wayne**
“Chisum” representa um elo na carreira de John Wayne, uma comparação intrigante com outros de seus trabalhos sobre guerra, como “Sands of Iwo Jima” e “The Longest Day”. O que torna “Chisum” especial é a forma como ele oscila entre os ideais de um Western e a abordagem mais complexa e muitas vezes sombria dos filmes de guerra da época, como “Apocalypse Now”. O diretor McLaglen traz uma estética que combina paisagens grandiosas com momentos de vulnerabilidade, e a trilha sonora de Dominic Frontiere complementa essa atmosfera de nostalgia e desilusão.
Com sua trama que evoca a luta contra a corrupção e a necessidade de moralidade, “Chisum”, mesmo após 55 anos desde seu lançamento, continua sendo relevante e potente. Embora possa não ter recebido o mesmo reconhecimento que outros clássicos, a narrativa do filme sobre resistência e princípios, mesmo em tempos difíceis, ressoa com questões que ainda enfrentamos na sociedade moderna. Este Western que se revela como uma poderosa declaração sobre a guerra e a ética deixa sua marca na história do cinema, mostrando que, às vezes, a luta pela justiça pode ser a batalha mais significativa de todas.
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