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O expurgo da TV que destruiu os faroestes nos anos 70

O expurgo da TV que destruiu os faroestes nos anos 70

Houve uma época em que os faroestes dominavam de forma soberana as telas residenciais. A partir do sucesso arrebatador conquistado em meados da década de 1950 com produções consagradas como Gunsmoke, o formato parecia intocável. No entanto, a virada dos anos 1960 para 1970 testemunhou uma transformação radical nos bastidores das grandes redes norte-americanas, responsável por encerrar de forma abrupta uma era de ouro que já durava duas décadas inteiras.

A estratégia que eliminou tudo com árvores

A guinada cultural ficou eternizada na história da indústria televisiva sob a alcunha de expurgo rural. Durante grande parte dos anos 1960, a CBS acumulou audiências monumentais apoiando-se em comédias rústicas e histórias passadas em cidadezinhas bucólicas, tais como The Beverly Hillbillies, The Andy Griffith Show, Petticoat Junction e Green Acres. Porém, a chegada do executivo Fred Silverman ao comando da programação da emissora causou um verdadeiro terremoto administrativo.

Silverman começou a examinar meticulosamente as planilhas demográficas de audiência e percebeu uma realidade incômoda para os anunciantes comerciais: os programas ambientados no interior eram consumidos majoritariamente por espectadores idosos e não atraíam o público jovem e urbano das grandes cidades. Guiado por essa análise de métricas, o executivo decidiu simplesmente cancelar dezenas de sucessos consolidados que ainda frequentavam os postos mais altos dos rankings, gerando a famosa frase do comediante Pat Buttram de que a emissora havia cancelado qualquer coisa que tivesse uma árvore em cena.

Os pistoleiros pegos na mesma rede

Embora a mira inicial do expurgo estivesse voltada contra as comédias caipiras, os tradicionais seriados de bangue-bangue acabaram tragados pela mesma maré modernizadora. O gênero já vinha se transformando nos cinemas com as abordagens violentas e desconstruídas dos longas de Sam Peckinpah e Sergio Leone, mas as séries de TV ainda eram vistas pela diretoria executiva como representações antiquadas de um público interiorano que o mercado publicitário desejava ignorar.

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Em consequência direta dessa nova mentalidade, títulos clássicos e respeitados foram cancelados em sequência acelerada:

  • The High Chaparral encontrou seu desfecho repentino em março de 1971;
  • The Virginian, que havia acabado de renovar seu elenco com Lee Majors, foi cancelada no mesmo ano;
  • Bonanza permaneceu no ar a duras penas até sucumbir em 1973;
  • Gunsmoke teve sua lendária jornada de vinte anos encerrada de forma definitiva em 1975.

O vácuo deixado pelos homens armados a cavalo deu espaço imediato a sitcoms modernas, urbanas e focadas em conflitos sociais cotidianos, encabeçadas por All in the Family e The Mary Tyler Moore Show. Poucas produções rurais conseguiram furar essa barreira nos anos seguintes, como Alias Smith and Jones, Little House on the Prairie e Nichols, confirmando que os velhos cowboys da telinha haviam perdido de vez o comando do horário nobre.

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