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Lilases: O símbolo trágico do amor e da morte em Nosferatu

Lilases: O símbolo trágico do amor e da morte em Nosferatu
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O filme “Nosferatu”, dirigido por Robert Eggers, apresenta um tema sombrio com um simbolismo floral recorrente: as lilases. Essas flores púrpuras aparecem durante toda a trama, até o desfecho, enquanto Thomas Hutter (Nicholas Hoult) e Ellen Hutter (Lily-Rose Depp) tentam escapar do controle do vampiro poderoso, o Conde Orlok (Bill Skarsgård).

Ao longo do filme, as lilases não são apenas um gesto de carinho entre os personagens, mas um elemento simbólico que aparece em várias sequências. No início, Thomas presenteia Ellen com um buquê de lilases, e ela observa que as flores não durarão mais do que alguns dias, prefigurando seu próprio destino trágico, já que ela também tem uma vida breve após ser assombrada por Orlok por três dias.

Ellen compartilha com Thomas um pesadelo em que se vê casando com a Morte. Ela menciona o forte aroma das lilases na chuva e descreve a horrenda cena onde todos os convidados do casamento estão mortos, fazendo uma alusão ao cheiro que uma lilase murcha possui, similar ao de um corpo em decomposição. Assim, as lilases são imediatamente associadas à morte, a qual Orlok personifica.

No clímax do filme, Ellen decide sacrificar-se para salvar sua cidade de uma praga mortal, vestindo lilases no cabelo, as mesmas que usou no dia de seu casamento com Thomas. Esse detalhe faz eco à sua visão de se casar com a Morte, reforçando a conexão entre as lilases e seu destino fatídico.

Além disso, as lilases contêm indole, um composto encontrado em cadáveres, e estão ligadas ao aroma musky da sexualidade humana. Esta relação entre sexo e morte complementa a representação da vida emocional e os desejos reprimidos de Ellen, culminando em sua morte nas garras de Orlok.

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A origem do nome científico das lilases, **Syringa vulgaris**, é inspirada na mitologia grega, onde a ninfa Syringa se transforma em um arbusto de lilás para escapar das investidas do deus Pã, que a achou e fez uma flauta com seu novo corpo. Dessa forma, Ellen se torna uma nova Syringa, sendo perseguida por um ser poderoso e lascivo.

“Nosferatu” apresenta uma narrativa rica em simbolismo, onde a presença das lilases destaca não apenas a fragilidade da vida, mas também a intersecção entre amor, desejo e morte.

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