**Análise do Final de Frankenstein: O Destino da Criatura e Seu Significado**
Guillermo del Toro traz uma nova interpretação do clássico Frankenstein, que será lançado na Netflix em 17 de outubro de 2025. A história, uma adaptação da obra de Mary Shelley publicada em 1818, explora a relação entre criador e criatura, revelando temas profundos sobre a ambição humana e o significado de existência.
**O Encontro no Ártico**
O filme começa e termina com um confronto entre Victor Frankenstein, interpretado por Oscar Isaac, e a Criatura, vivida por Jacob Elordi, em uma cena dramática no Ártico. O Capitão Anderson, um navegador, os encontra e escuta suas histórias. Após a trágica morte de Elizabeth, a amada de Victor, à mão da Criatura, Victor persegue seu criador, buscando vingança. No entanto, o desenlace revela um confronto emocional e não apenas violento.
**O Destino da Criatura**
Na climática cena final, Victor tenta eliminar a Criatura utilizando dinamite, mas falha. Aceitando sua derrota, ele se despede e pede perdão por seus atos cruéis. A Criatura, por sua vez, lhe concede perdão, absorvendo o peso de suas ações. Victor compartilha com a Criatura que, se ele não pode morrer, deve aprender a viver. Este momento possui uma conotação espiritual, simbolizando um novo começo, mesmo em meio à dor. A cena termina com a Criatura levantando as mãos em direção ao sol nascente, sugerindo esperança e a possibilidade de um futuro.
**A Transformação do Monstro**
Del Toro inverte a noção tradicional de que a Criatura é a verdadeira monstra. Nesta adaptação, a verdadeira monstruosidade pertence a Victor, que, embora tenha a aparência de um homem, é a personificação da ambição desmedida. A relação complexa entre Victor e a Criatura revela uma dualidade impactante: Elizabeth, que se mostra fascinada pela Criatura, sublinha a humanidade que se encontra por trás de sua aparência grotesca.
**O Papel do Capitão Anderson**
O capitão Anderson, que no início do filme é um líder rigoroso, conduz seus homens em várias expedições direcionadas à busca de glória. Contudo, ao ouvir as histórias trágicas de Victor e da Criatura, ele percebe que sua ambição o tornou uma vítima, distante de sua humanidade. Consequentemente, ele decide retornar para casa, renunciando a sua busca egoísta.
**Elizabeth e a Tragédia do Amor**
Elizabeth, interpretada por Mia Goth, é uma personagem central que simboliza amor e sacrifício. Sua morte, causada por um mal-entendido entre Victor e a Criatura, ilustra as consequências devastadoras da obsessão e da rivalidade entre criador e criação. Esse triângulo amoroso, repleto de tensão e desespero, culmina em uma tragédia que revela o quão profundamente Victor e a Criatura estavam interligados pelas suas emoções díspares.
**O Anjo da Morte e Seu Significado**
Um dos símbolos mais persistentes no filme é o Anjo da Morte, que figura no lar de infância de Victor. Representando a inevitabilidade da morte, o Anjo sugere que a vida, com suas lutas contra o destino, não deve ser dominada pelo homem, mas reconhecida como parte da existência natural.
**A Citação Final e Seu Impacto**
O filme termina com uma citação de Lord Byron: “O coração quebrará, mas continuaremos a viver”. Esta linha poética, que poderia parecer um desvio do texto de Shelley, intensifica a noção de que, apesar da dor e da tragédia, a vida e a esperança perduram. O coração da Criatura pode estar partido, mas ainda há luz à sua frente.
**Diferenças em Relação ao Romance Original**
A adaptação de Del Toro é uma das mais fiéis à obra original, embora sua conclusão seja notavelmente diferente. No livro, Victor não sobrevive ao confronto com a Criatura, e sua morte se inicia sob circunstâncias sombrias, levando a Criatura a optar por pôr fim à sua própria vida em um incêndio, o que contrasta com a nova mensagem de esperança promulgada por Del Toro.
**O Verdadeiro Significado de Frankenstein**
Por fim, o filme leva o espectador a refletir sobre as consequências da ambição desenfreada. A busca de Victor por criar vida e eliminar a morte o leva a um caminho de destruição, não apenas de si mesmo, mas também daqueles que ama. A Criatura, por sua vez, carrega o fardo de existir sem propósito, refletindo as angústias humanas em busca de significado. A luz do sol no horizonte sugere que, apesar da dor, a esperança é sempre possível. A nova adaptação de del Toro promete revolucionar a percepção popular e criar um espaço para a discussão sobre ética, amor, e o que realmente significa ser humano.
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