Runnner, o músico e produtor baseado em Los Angeles, Noah Weinman, lançou recentemente a edição deluxe de seu álbum “like dying stars, we’re reaching out”. Neste disco, Weinman explora a lacuna entre aquilo que dizemos e fazemos e o que realmente queremos expressar. Ele descreve esse espaço cinzento como “uma perda de sinal entre o pensamento e a fala”. Em suas letras, ele aborda sua frustração e curiosidade diante dessa incerteza, refletindo sobre a capacidade da linguagem de transmitir a verdade emocional. O álbum cria um mundo sonoro imersivo, com influências que vão desde o trabalho de Weinman com Skullcrusher até a inspiração em Madonna dos anos 90.
Noah Weinman, também conhecido como Runnner, tem ganhado destaque na cena musical há algum tempo. Além de seu trabalho como produtor para artistas como Skullcrusher, ele lançou uma coleção de singles em 2021 intitulada “Always Repeating”. Nesse álbum, Weinman aborda relacionamentos conturbados e marcados por ameaças físicas, com referências a visitas frequentes ao pronto-socorro, queimaduras e lábios cortados. Já em “like dying stars, we’re reaching out”, Weinman mostra-se mais aberto à conexão, porém ainda enfrenta os limites da linguagem. Ele questiona se o que está em sua mente pode ser expresso por palavras e se isso mudará sua essência ao ser dito.
A sonoridade de “like dying stars, we’re reaching out” é rica e variada, com Weinman utilizando uma ampla gama de fontes sonoras para dar vida a cada faixa. Ele incorpora o zumbido de um ar-condicionado, o som de papelão se movendo e a distorção vocal, que remete ao álbum “22, a Million” de Bon Iver. Esses elementos são tecidos de maneira harmoniosa, criando um terreno imersivo para as mensagens de Weinman ecoarem.
A edição deluxe do álbum apresenta novas versões ao vivo, que abordam o trabalho de uma maneira diferente, revelando camadas mais sutis e mantendo a sensação de espaço. Na versão “Yellow House Sessions” da música “string”, por exemplo, os sintetizadores cuidadosos do baterista Ellington Peet criam uma atmosfera etérea que se mescla às melodias acústicas. O título “like dying stars, we’re reaching out” faz referência aos últimos suspiros de uma estrela, que emite nebulosas planetárias em todas as direções antes de sua morte. Embora possa parecer um título complexo para um álbum que aborda problemas terrenos, ele se encaixa perfeitamente, evocando imagens de sinais vindos de espaçonaves solitárias. As músicas são breves missivas vindas do espaço sideral, com a maioria das faixas tendo apenas dois ou três minutos de duração.
Em cada música, Weinman brinca com a ideia do familiar e do alienígena, rompendo as fronteiras entre os dois. Na faixa “plexiglass”, o embaçamento dos vidros do carro se transforma em “fantasmas ao alcance de meus dedos”. No videoclipe de “i only sing about food”, closes extremos de água fervente e grãos de arroz se assemelham a explosões em atmosferas desconhecidas. Weinman explora, assim, a comunicação e as barreiras linguísticas, oferecendo uma obra musical reflexiva e envolvente.
“like dying stars, we’re reaching out” é uma expressão artística de Noah Weinman, que busca traduzir em som a complexidade das questões emocionais que permeiam nossas vidas. Com sua abordagem única do processo criativo e sua sensibilidade para explorar os limites da linguagem, ele oferece um trabalho instigante e cativante. Essa edição deluxe é uma oportunidade de mergulhar ainda mais profundamente nas mensagens e sonoridades de Runnner.
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