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Estilo e pouco conteúdo: O descontentamento de um filme moderno

Estilo e pouco conteúdo: O descontentamento de um filme moderno
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**Hurry Up Tomorrow: Uma Análise do Filme com The Weeknd e Jenna Ortega**

O novo filme “Hurry Up Tomorrow”, dirigido por Trey Edward Shults, é parte de um ambicioso projeto multimídia que o cantor Abel “The Weeknd” Tesfaye tem desenvolvido desde janeiro de 2025, quando lançou um álbum conceitual que leva o mesmo nome. A obra cinematográfica tenta explorar uma narrativa que se desdobra a partir do álbum, mas, apesar de sua intenção artística, a produção é marcada por uma estética vazia, como se tentasse encobrir a falta de conteúdo substancial com estilo.

Os coescritores Shults, Tesfaye e Reza Fahim criaram um filme que se apresenta como uma ópera sonhadora e alucinatória repleta de emoções gritantes e dramáticas. O espectador é absorvido por lágrimas, gritos e pesadelos, mas, no fundo, “Hurry Up Tomorrow” se revela uma obra medíocre e insatisfatória. O filme falha em capturar a alma complexa do cantor, limitando-se a compartilhar a dor de um artista que parece, na verdade, ter muito pouco para se queixar.

**A Relação Abstrata com a Dor**

O personagem interpretado pelo The Weeknd é um artista que tenta lidar com as consequências de um término, que nunca é realmente explicado ao público. A ex-namorada, interpretada por Riley Keough, é mencionada apenas como “Garota na Caixa de Voz”, uma figura abstracta que serve para que o protagonista mergulhe em sua auto-piedade. Anima, interpretada por Jenna Ortega, surge como uma jovem que pode representar a esperança de fuga emocional, mas que também é um personagem superficial, cujo nome já indica um apelo psicológico bastante explícito.

**Estilo Sem Consistência Emocional**

A direção de Shults, que é conhecida por obras intrigantes como “It Comes at Night” e “Waves”, parece aqui se debater para criar uma profundidade emocional em um artista que talvez não tenha tantas camadas. O filme é repleto de closes extremos e mudanças de proporção, além de efeitos que pretendem evocar uma sensação nostálgica de filmes antigos. Uma sequência de pesadelo, por exemplo, traz à mente o estilo de David Lynch, mas se perde por uma falta de originalidade e por sua simbologia excessivamente ostensiva.

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O filme começa com a mensagem da “Garota na Caixa de Voz”, que critica um ato não especificado feito pelo protagonista, deixando o público sem entender a gravidade da situação. A narrativa é arrastada e, por muito tempo, não avança, enquanto o público aguarda por alguma ação significativa. Quando finalmente Anima e o protagonista começam a interagir, já se passou quase uma hora do filme, tempo em que praticamente nada acontece.

**A Dinâmica Disturbadora da Fama**

A relação entre o protagonista e Anima rapidamente se transforma em um caso inquietante, semelhante ao que vemos em “Misery”, onde um fã obsessivo se torna uma ameaça para sua idolatrada personalidade. No entanto, a execução não é tão impactante, transformando o que poderia ser um suspense psicológico em uma espécie de comédia acidental. A falha de “Hurry Up Tomorrow” em se manter sério resulta em risos involuntários por parte do público em momentos que deveriam ser dramáticos.

**Um Retrato Pobre do Artista**

A atuação de Jenna Ortega como Anima insere um toque de humor sombrio, mas o filme não consegue se decidir se quer ser um drama profundo ou uma crítica mordaz à cultura da fama. A pergunta que paira no ar é: o que Tesfaye realmente quer comentar sobre sua própria vida e obra? Ele apenas reveza entre se apresentar como um artista atormentado, mas nunca aborda diretamente suas fraquezas nem as consequências de sua arte.

Ao final, “Hurry Up Tomorrow” é uma exploração superficial do sofrimento, desprovida de um verdadeiro confessional. É uma narrativa que clama por compreensão, mas falha em transmitir qualquer sentimento real, limitando-se a ser uma lamentação sobre a fama e os relacionamentos. “Hurry Up Tomorrow” chega aos cinemas em 16 de maio de 2025, mas fica a dúvida: seria mais um projeto artístico que não consegue fazer jus à sua ambição?

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