**Filme Iraniano e a Luta Contra a Censura no Oscar**
A Associação de Cineastas Independentes do Irã (IIFMA) intensificou suas solicitações para que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS) reavalie sua relação com o órgão estatal de cinema do Irã, o Farabi Cinema Foundation. Até o momento, a AMPAS reconhecia o Farabi como a entidade oficial responsável pela submissão de filmes iranianos à categoria de Melhor Filme Internacional.
A IIFMA, formada em 2023 após o movimento “Mulher, Vida, Liberdade”, que surgiu com a morte de Mahsa Amini em setembro de 2022, julga que essa prática é inadequada. Em uma carta enviada à AMPAS, a IIFMA destaca a necessidade de abordar questões éticas sérias relacionadas à censura imposta pelo governo iraniano.
A carta menciona que o Farabi, junto com o Ministério da Cultura e Orientação Islâmica, opera sob um regime que restringe severamente a liberdade artística. “Ao apoiar filmes submetidos por meio dessas entidades, a academia, involuntariamente, endossa um sistema de censura que exclui vozes cruciais, especialmente aquelas de cineastas independentes e da diáspora iraniana”, afirmam os cineastas dissidentes.
O ambiente para cineastas independentes no Irã tem sido desafiador. Em fevereiro, Behtash Sanaeeha e Maryam Moghadam, após receberem convocação judicial e ameaças de morte relacionadas ao seu filme “My Favourite Cake”, apelaram por apoio internacional. Em agosto, Jafar Panahi, vencedor da Palma de Ouro, expressou preocupação em relação ao diretor Ali Ahmadzadeh, cuja casa foi invadida por um grupo armado durante as filmagens de seu projeto.
Recentemente, a AMPAS anunciou que um comitê sob a supervisão do Farabi selecionou o filme de 2023 “Cause of Death: Unknown”, de Ali Zarnegars, como representante do Irã no Oscar. O longa, que aborda um grupo de viajantes que encontram uma quantia de dinheiro em um homem falecido, teve sua estreia no Festival de Cinema de Xangai, mas pouco reconhecimento internacional desde então.
Surpreendentemente, muitos acreditam que existem filmes com perfis internacionais mais robustos que poderiam representar melhor o Irã, incluindo “It Was Just An Accident”, de Panahi, e “Woman and Child”, de Saeed Roustayi. O primeiro gerou controvérsia entre apoiadores do movimento “Mulher, Vida, Liberdade” devido à presença de atrizes que usavam o hijab.
Enquanto isso, os admiradores de “It Was Just An Accident” buscam outras possibilidades de inclusão do filme nas indicações ao Oscar, que está na lista para representar a França via sua co-produção. Uma decisão sobre essa representação será anunciada em breve.
Por fim, a IIFMA instou a AMPAS a reconsiderar suas políticas sobre submissões de filmes de países sob regimes autocráticos, propondo a criação de um comitê especial para cineastas dissidentes. “É hora da Academia adotar uma postura mais ética sobre a representação do cinema iraniano, valorizando a diversidade e a resiliência de seus cineastas”, conclui a carta. Assim, com o prazo para submissão se aproximando, a comunidade cinematográfica brasileira observa com atenção as desenvolvimentos dessa situação complexa.
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