**A Revolução de “Missão Impossível”: A Frustração dos Atores da Série Original**
Quase três décadas se passaram desde o lançamento do filme “Missão Impossível”, de 1996, e muitos consideram essa produção como um grande sucesso. Com mais de 450 milhões de dólares arrecadados mundialmente, além de críticas positivas, é fácil ver por que o filme se tornou um pilar de uma franquia que já dura quatro décadas. A filmagem mais recente, “Missão Impossível — O Último Juízo”, também se aproveita da nostalgia ao remeter a momentos icônicos da série original, especialmente a cena onde Ethan Hunt (Tom Cruise) se encontra em situações de extrema tensão.
Contudo, um aspecto que pode passar despercebido é a recepção dos atores da série de TV “Missão Impossível”, que estreou nos anos 60 e fez sucesso com seu formato de espionagem e tramas elaboradas. Ao contrário das expectativas, os atores da série realmente desgostaram do filme dirigido por Brian De Palma. As principais críticas giram em torno de duas questões centrais: a transformação do herói da série em vilão e a mudança do foco para um único protagonista.
**A Alienação da Equipe Original**
O enredo da série original, que foi exibida de 1966 a 1973, se baseava na equipe da Força Tarefa Impossível (IMF), onde cada membro tinha um papel fundamental em missões desafiadoras, com narrações que culminavam na famosa frase “esta mensagem se autodestruirá em poucos segundos”. Embora o filme de 1996 tenha trazido essa premissa com algumas similaridades, como a presença da IMF e as missões complexas, a inclusão de Ethan Hunt como o personagem central e a representação de Jim Phelps (interpretado por Jon Voight) como um traidor geraram grande descontentamento.
Na série, Jim Phelps, interpretado por Peter Graves, era o líder confiável da equipe. No entanto, no filme, a surpresa chocante da narrativa revela que Phelps é o responsável pela morte de seus próprios colegas de equipe, o que causou revolta entre os atores do programa. Graves expressou sua decepção ao afirmar: “Lamento que eles tenham escolhido chamá-lo de Phelps”, e sugeriu que a trama poderia ter sido mantida sem o uso do nome de seu personagem.
Greg Morris, que desempenhou um dos papéis de especialista em tecnologia na série, teve uma opinião ainda mais contundente, classificando o filme como uma “abominação” e deixando a sala de cinema após 40 minutos. Martin Landau, também ator da série, expressou seu desinteresse em retornar à franquia, mencionando que a proposta inicial do roteiro original incluía a destruição total da equipe, o que ele rejeitou veementemente.
**A Evolução dos Filmes de “Missão Impossível”**
Desde sua estreia, a série de filmes “Missão Impossível” fez uma transição significativa, afastando-se da inspiração da série de TV. Apesar de algumas referências, como a famosa trilha sonora criada por Lalo Schifrin, os filmes priorizam uma narrativa centrada na ação e nas acrobacias elaboradas, características que definem a franquia atualmente. As sequências emocionantes, como a célebre invasão à CIA no primeiro filme, destacam o compromisso com cenas grandiosas e acrobacias impressionantes, que hoje são vistas como essenciais nas produções.
Embora as críticas dos atores do programa representem uma parte importante da história do filme, o sucesso da franquia é inegável. A nova abordagem de Tom Cruise e sua equipe se transformou em um fenômeno global, mostrando que, apesar das desaprovações iniciais, o legado de “Missão Impossível” continua a cativar novas gerações, que talvez fiquem surpresas ao descobrir que as aventuras de Ethan Hunt começaram em uma série onde ele não era nem mesmo um dos protagonistas.
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