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CRÍTICA | Coringa é um retrato cruel da degradação social de um psicopata

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CRÍTICA | Coringa é um retrato cruel da degradação social de um psicopata
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Longa estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta, 3

O vilão mais famoso da cultura pop aparece dessa vez para protagonizar sua própria história de origem. E para esse filme funcionar, precisaria que roteiro, direção e atuação do protagonista beirassem a excelência, e sim, ele chegou lá.

O primeiro ponto que você deve levar em consideração antes de assistir ao longa é que não é um filme sobre o Coringa, é um filme sobre o Arthur Fleck. Ele busca a todo momento formas de tirar um sorriso das pessoas, mas é ridicularizado pelas mesmas devido aos seus problemas mentais. Nós como espectadores sabemos aonde isso vai chegar, mas o mais importante aqui não é o fim, e sim os meios. A construção narrativa nos traz um misto de emoções, do riso incômodo ao impacto do descontrole emocional de uma mente que não conseguiu suprimir suas dores e as transformou em sangue.

A direção de Todd Phillips engrandece o roteiro trazendo uma montagem brusca e bagunçada propositalmente, causando um certo incômodo que remete à cabeça confusa do personagem. O uso de cores para contar a história, com o Arthur sendo o único ponto colorido em meio a um ambiente sem cor, os enquadramentos que variam entre closes e planos mais abertos que demonstram a solidão do personagem, do uso de câmera lenta que combinado com a magnífica trilha sonora sintetizam a forma dele de enxergar a si mesmo. Além de nos imergir em uma Gotham que vai sendo construída junto com a ascensão do Coringa.

Mas além de tudo isso, a obra só estaria completa com um grande ator, e Joaquin Phoenix está magnífico aqui, e não só por suas expressões faciais, mas também as corporais. O sorriso desconcertante e sua incômoda repetição, a forma com que muda de humor, o jeito bizarro de correr, a dança cheia de classe, a imponência como uma figura a se temer, e o principal, demonstrar com perfeição um personagem completamente imprevisível e que a qualquer momento pode cometer uma loucura. Joaquin nos traz o Coringa mais humano que o cinema já viu, sem precisar se espelhar nos atores que fizeram o personagem anteriormente. Sua própria reinterpretação é o que fez ser tudo tão palpável.

Aos pais que pensam em levar crianças para a sessão, não levem. Coringa não é um filme de super-herói, é um retrato cruel e pesado sobre a degradação social de um psicopata. Um dos melhores filmes do ano e que merece ser lembrado na temporada de premiações.


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23 anos, estudante de Jornalismo, apaixonado por cinema, séries e esportes