**Michel Franco e as Dinâmicas do Poder no Cinema**
Michel Franco, renomado cineasta mexicano, está de volta ao Festival de Cinema de Sarajevo, onde está apresentando seu mais recente trabalho, “Dreams”. Esse é o décimo ano em que Franco participa do festival, e ele demonstra um profundo apreço pelo evento, considerando Sarajevo como sua “segunda casa”. Ele compartilhou que quando recebeu o convite pela primeira vez, percebeu que era uma oportunidade única e decidiu aceitá-la sem hesitar.
Durante uma masterclass, Franco conversou com o jornalista Ennis Ćehić sobre sua abordagem ao cinema e sua maneira única de contar histórias. Para ele, criar filmes não é apenas sobre entregar respostas ao público, mas sim explorar questões provocativas e complexas, mesmo que não tenha todas as respostas. “Escrevo filmes sozinho porque quero entender melhor algumas coisas. Não sei se encontrarei respostas no final, mas o processo me enriquece”, afirmou Franco.
Ele critica a tendência de alguns cineastas de tentar educar seu público, enfatizando que essa abordagem geralmente resulta em finais satisfatórios e lições que soam artificiais. Ao contrário, Franco busca contar histórias que desafiem e provoquem reflexões.
O filme “Dreams”, que conta com a talentosa Jessica Chastain no elenco, aborda o romance entre uma socialite rica e um dançarino de balé mexicano. Esse projeto é uma ideia que ele cultivou por uma década e foi desenvolvido em conjunto com Chastain enquanto trabalhavam em “Memory”. Embora tenha nuances de crueldade que podem refletir a relação entre os Estados Unidos e o México, Franco se aprofundou na dinâmica íntima do relacionamento entre os protagonistas, em vez de focar nos aspectos políticos mais amplos.
Além disso, Franco expressou sua vontade de abordar a desigualdade entre os dois países de maneira mais direta em futuros projetos. Reconhecendo a realidade de um México que convive com a opulência do lado norte da fronteira, ele admite que as dinâmicas de poder são muito claras e que essa relação sempre o influenciou como artista.
Franco destacou que se sente atraído por ideias que o deixam desconfortável, pois acredita que esse tipo de sensação indica que ele está no caminho certo com sua narrativa. O cineasta também compartilhou como se tornou produtor em seus projetos, revelando que na produção de seu filme de estreia “After Lucia”, ele fez ajustes significativos no orçamento e conseguiu realizar o projeto da maneira que desejava, filmando em ordem cronológica.
Ele defende uma abordagem de produção minimalista, focando nas performances dos atores em vez de depender demais de design de produção. “A verdadeira mágica está em cercar-se de pessoas talentosas que entendem suas visões melhor do que você”, concluiu Franco, mostrando seu compromisso com um cinema autêntico e significativo.
Com suas reflexões sobre criatividade e as complexidades do amor e da sociedade, Michel Franco continua a se afirmar como uma voz única no cinema contemporâneo, desafiando o público a olhar além do convencional.
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