Brendan Carr, presidente da FCC, declara que Trump está “vencendo” a batalha contra a “mídia fake news”
Em um discurso polêmico no Conservative Political Action Conference (CPAC) em Grapevine, Texas, realizado em 27 de março de 2026, Brendan Carr, atual presidente da Federal Communications Commission (FCC), fez uma defesa fervorosa do ex-presidente Donald Trump, declarando que Trump está “vencendo” na luta contra o que chamou de “mídia fake news”, citando especificamente veículos como PBS, NPR, CNN e CBS como representantes dessa mídia “falsa”.
Carr destacou que, ao contrário de muitos políticos que aceitaram passivamente o controle da narrativa pela mídia tradicional, Trump enfrentou esse cenário, incentivando o público a não aceitar a versão imposta pelos grandes canais de comunicação sobre o que pensar ou como votar. Para o presidente da FCC, a atual realidade, incluindo a saída de âncoras renomados e mudanças nas lideranças dessas redes, é uma prova inequívoca de que Trump está tendo sucesso.
Ele mencionou com entusiasmo fatos como o corte de verbas para PBS e NPR, a saída de figuras como Joy Reid da MSNBC, Chuck Todd, Jim Acosta e John Dickerson, além da iminente troca de propriedade na CNN e a saída de Stephen Colbert da CBS. Para Carr, esses fatos refletem “resultados” concretos na mudança do panorama da mídia tradicional.
Apesar de reconhecer que a “bandeira de missão cumprida” ainda não pode ser hasteada, ele reafirmou o avanço de Trump nesta batalha, em um discurso celebrado pelos presentes no evento.
A reação do público e especialistas
As declarações de Brendan Carr não passaram despercebidas nas redes sociais. Muitos usuários do Twitter, atualmente conhecido como X, criticaram duramente as afirmações, argumentando que um presidente da FCC não deveria manifestar um viés político tão claro, sobretudo quando suas palavras parecem endossar ataques à liberdade de imprensa.
Um comentário destacado disse que reconhecer publicamente Trump “vencendo” a mídia deveria ser motivo para destituí-lo do cargo, já que essa postura sugere a intenção de controlar a mídia nos Estados Unidos. Outros apontaram que essa não é uma manifestação de força, mas sim uma confissão preocupante de que o governo está atacando a imprensa livre.
Brendan Carr e seu histórico recente de críticas a programas de TV
Não é a primeira vez que Carr adota um tom agressivo contra meios de comunicação e apresentadores. Recentemente, ele ameaçou indiretamente a permanência de Jimmy Kimmel no comando do programa “Jimmy Kimmel Live!” da ABC, após comentários polêmicos do apresentador sobre a morte do ativista Charlie Kirk.
Além disso, Carr demonstrou ceticismo sobre a isenção do programa “The View” das regras de tempo igualitário, o que gerou novas diretrizes da FCC para evitar que programas com motivação partidária recebam isenção, claramente direcionadas a shows com inclinações políticas. Ele também compartilhou declarações de Trump pedindo a demissão do apresentador Seth Meyers, do “Late Night” da NBC, após críticas feitas ao ex-presidente.
Polêmica envolvendo Stephen Colbert e CBS
Outro capítulo da tensão entre a FCC e o mundo do entretenimento ocorreu quando Stephen Colbert, durante seu programa “The Late Show”, revelou que foi obrigado por advogados da CBS a cancelar a entrevista com o deputado estadual do Texas, James Talarico. Na ocasião, Colbert criticou diretamente Carr, acusando-o de agir motivado por interesses partidários e de fazer parte de uma tentativa do governo Trump de silenciar vozes contrárias na TV.
Esse episódio ilustra a crescente tensão e a politização das discussões em torno da liberdade de expressão na mídia televisiva, com o presidente da FCC no centro desse debate.
O que está por trás da disputa entre FCC, Trump e a mídia
A postura de Brendan Carr em defesa de Trump e contra veículos como PBS, NPR, CNN e CBS reflete um momento delicado nos Estados Unidos, onde a mídia tradicional sofre crises financeiras e mudanças estruturais, alinhadas a um cenário político altamente polarizado. A retirada de verbas de veículos públicos e a entrada de novos donos em grandes redes reforçam a narrativa apresentada por Carr de uma verdadeira transformação no controle da mídia.
No entanto, essa conjuntura levanta dúvidas sobre o papel da FCC como órgão regulador independente e a possibilidade de que a defesa aberta de interesses políticos possa comprometer a pluralidade e a liberdade de expressão.
O que esperar daqui pra frente
Com as eleições e a continuidade do embate político, a relação entre a FCC, a mídia e figuras públicas como Donald Trump promete seguir sendo uma pauta quente. É fundamental acompanhar como essas tensões influenciarão futuras regulamentações da comunicação, a sobrevivência dos veículos tradicionais e a maneira como o público terá acesso à informação.
Enquanto isso, o ambiente televisivo segue repleto de incertezas, com programas icônicos deixando o ar, mudanças nas grades de programação e um cenário político que aprofunda o debate sobre o papel da mídia na democracia americana.
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