As festas de fim de ano costumam ser estressantes, e nada como um bom episódio de sitcom para retratar essa situação. Um dos feriados mais peculiares, que surgiu desse universo, é o Festivus, celebrado pelos personagens da clássica série “Seinfeld”. No enredo, o Festivus acontece no dia 23 de dezembro e foi criado pelo pai de George, Frank Costanza, como uma forma de lidar com a pressão das festas comerciais de Natal.
No episódio da nona temporada intitulado “The Strike”, Frank apresenta essa tradição peculiar, que inclui um mastro de Festivus sem adornos, uma exibição especial de queixas, um jantar e até mesmo uma sessão de luta livre. Essa criação tem encantado os fãs, que até começaram a celebrar o Festivus em suas próprias casas. Mas o mais interessante é que esse feriado fictício tem raízes na vida real, proveniente da experiência de um dos roteiristas da série.
As origens do Festivus são bastante intrigantes. Muitas das tradições apresentadas em “Seinfeld” foram inspiradas na infância do roteirista Dan O’Keefe. Embora o mastro tenha sido uma invenção da televisão, as demais práticas foram baseadas no que a família O’Keefe já fazia desde os anos 60. Em uma entrevista de 2004 ao New York Times, Daniel O’Keefe, pai de Dan, revelou que criou o Festivus em 1966 para comemorar um aniversário com sua esposa. O nome não tinha um significado específico, foi algo criado na hora.
Com o tempo, o Festivus passou a ser celebrado na casa dos O’Keefe, mas de forma não ligada ao Natal, mudando de data conforme a conveniência. Embora não havia um mastro decorado, as queixas e as lutas sempre faziam parte das festividades. Quando os filhos cresceram e se recusaram a participar, o pai esperto gravava as queixas deles à revelia, o que lembra um pouco a abordagem do fictício Frank Costanza.
Como o Festivus chegou à telinha? Em uma entrevista de 2017, O’Keefe contou que seu irmão Mark, também roteirista, comentou sobre a tradição em uma festa para os produtores de “Seinfeld”. Eles acharam a ideia tão engraçada que resolveram incorporá-la ao programa. Dan, por sua vez, hesitava em relação à aceitação do público: “Acho que é um pouco assustador. Não acho que alguém vá gostar, será que não é estranho demais?”.
Embora começar um feriado fazendo críticas a filhos possa soar horrível na vida real, em “Seinfeld” funcionou perfeitamente, uma vez que os personagens já têm uma dinâmica de incompreensão e humor ácido. Jerry Stiller, que interpretou Frank, trouxe toda a essência da criação de O’Keefe para a tela, tornando a comemoração uma divertida crítica ao consumismo e uma forma de aliviar a pressão das festas. Afinal, é difícil não se encantar com uma tradição que se propõe a trazer leveza em tempos angustiantes.
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