**A Visão de J.J. Abrams sobre Star Trek: “Bobo” e “Campy”**
Em um passado não tão distante, o universo de Star Trek enfrentava um momento crítico. Em 2005, a série estava em um ponto baixo, com “Star Trek: Enterprise” sendo cancelada após quatro temporadas. Essa série não conquistou o mesmo amor que suas antecessoras como “Star Trek: The Next Generation” ou “Star Trek: Deep Space Nine”. Além disso, o filme “Star Trek: Nemesis” de 2002 foi um fracasso nos cinemas, gerando preocupações sobre o futuro da franquia. O mundo, marcado pelos horrores pós-11 de setembro, parecia desapegado da mensagem otimista de paz e diplomacia que Star Trek sempre trouxe.
No entanto, em 2009, J.J. Abrams ressuscitou a franquia com um filme reboot intitulado simplesmente “Star Trek”. Esta nova abordagem trouxe personagens clássicos de volta às telas, mas com uma nova roupagem de atores mais jovens e uma narrativa repleta de ação. O filme se afastou do tom filosófico e reflexivo pelo qual a série era conhecida, optando por um formato de ação intensa que fez sucesso, arrecadando mais de 387 milhões de dólares mundialmente com um orçamento de 150 milhões.
Para muitos fãs antigos, essa mudança foi difícil de engolir. A essência de Star Trek sempre foi sobre relacionamentos, dilemas éticos e conceitos científicos profundos. A reinvenção de Abrams priorizou a ação e a adrenalina, transformando a narrativa em um thriller emocionante e previsível. Em um momento de tensão, Abrams, em entrevista ao Guardian, revelou que nunca foi um grande fã de Star Trek, sendo mais inclinado ao universo de “Star Wars”, onde a ação e a emoção se sobrepõem à lógica fria.
**A Relação de Abrams com Star Trek e Star Wars**
Abrams não hesitou em afirmar que achava Star Trek “bobo” e “campy”. Ele recorda que, mesmo apreciando a série, nunca se sentiu parte dela ou a entendeu completamente. Para ele, as histórias eram mais conversas do que aventuras, algo que não o atraía. Ele comentou: “Star Trek sempre me pareceu algo bobo, campy. Eu lembro de apreciá-lo, mas sentia que não entendia. Pode ser que eu não fosse inteligente o suficiente ou jovem o bastante. Mas eu era obcecado por ‘The Twilight Zone’. Adorava”.
Embora Star Trek realmente tivesse momentos de leveza e situações cômicas, a crítica de Abrams provocou um certo descontentamento entre os trekkies, que se sentiram desiludidos ao ver que o diretor não se deu ao trabalho de entender a profundidade do material que estava adaptando.
**Abrams e sua “Ignorância” Sobre o Legado de Star Trek**
Um dos aspectos mais polêmicos foi a abordagem de Abrams sobre o legado da franquia. Ele utilizou uma narrativa que ignorava a rica história de Star Trek para criar a sua própria. Ao incorporar conceitos de um universo paralelo e linhas do tempo alternativas, ele lançou mão de um artifício criativo para reinventar personagens como James T. Kirk. Em suas próprias palavras: “Eu não tinha ideia de que já haviam existido 10 filmes! Eu ainda não vi todos. Eu não queria me tornar um estudante de Star Trek. Senti que isso era uma das poucas vantagens que eu tinha. Eu estava tentando fazer um filme, não um filme ‘Trek'”.
Abrams continuou a explorar o universo Star Trek com o filme “Star Trek Into Darkness” em 2013, que também se afastou da essência intelectual original, alcançando uma arrecadação superior a 467 milhões de dólares. No entanto, o filme acabou sendo considerado uma das piores produções da franquia. Após esse trabalho, Abrams se afastou da direção para o filme “Star Trek Beyond”.
Contrapondo sua experiência com Star Trek, a perspectiva de Abrams sobre “Star Wars: O Despertar da Força”, lançado em 2015, foi muito diferente. Ele cresceu assistindo Star Wars e desenvolveu um carinho genuíno pela saga, que ele descreveu como um mundo rico e cheio de possibilidades. Essa conexão não se refletiu em sua abordagem em Star Trek, onde ele nunca expressou um amor semelhante.
A jornada de Abrams com Star Trek ilustra a tensão entre a tradição de uma franquia e a necessidade de inovação. Para muitos, a essência do que fez Star Trek especial foi perdida em favor de uma fórmula mais comercial e acessível.
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