A decisão de matar um personagem icônico na franquia Scream com a morte de Dewey Riley em Scream 5 gerou intensas discussões entre fãs e críticos. Desde a morte impactante de Randy Meeks em Scream 2, a série se tornou conhecida por manter seus protagonistas — Sidney Prescott, Gale Weathers e Dewey — como figuras duradouras diante do terror encarnado por Ghostface. Até Scream 2022, os fãs estavam acostumados com o retorno desses heróis, o que culminou em surpresas ao longo das sequências.
No entanto, Scream 5 trouxe um giro trágico ao final de Dewey, um personagem que sempre desafiou a morte, mesmo após ferimentos graves em filmes anteriores. Com sua narrativa profundamente ligando Dewey a Gale e Sidney, o filme conseguiu provocar uma reação emocional intensa ao decidir que seu tempo havia chegado. O contexto de Dewey, vivendo sozinho após o divórcio com Gale e se afastando do seu passado como policial, adicionou uma camada de vulnerabilidade que fez sua morte ressoar ainda mais com o público.
É interessante notar que, após a filmagem de sua morte, a produção foi pressionada a gravar uma cena alternativa que sugeria que Dewey poderia ter sobrevivido. Os diretores, Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, manifestaram descontentamento com a sugestão e optaram por deixar essa cena como um mero “testemunho” do que poderia ter sido, meta-sabendo que essa alternativa não seria utilizada.
Os diretores e o produtor executivo, Chad Villella, justificaram a escolha de manter Dewey morto como uma forma de aumentar a tensão e a gravidade das ameaças que a nova geração enfrenta em Woodsboro. Essa morte não só solidificou a seriedade da situação, mas também incentivou Sidney a voltar ao local de seus traumas. O laço emocional entre os personagens foi crucial para demonstrar como a perda de Dewey impactaria a equipe original e a nova geração de sobreviventes.
Se Dewey tivesse sobrevivido novamente, isso teria enfraquecido a tensão dramática da narrativa, prejudicando o impacto que a franquia conquistou ao longo dos anos. A morte de Dewey serviu como um catalisador para o retorno de Sidney à cidade, mostrando que a luta contra Ghostface e seus legados violentos não são apenas sacrifícios, mas questões profundamente pessoais.
A série Scream, reconhecida por suas metanarrativas que satirizam o gênero de terror, precisava desse sacrifício. Uma das críticas mais frequentes aos filmes é a falta de consequências reais, fazendo com que as mortes e ferimentos pareçam sempre reversíveis ou sem grande impacto — algo que a série sempre se esforçou para desafiar. Portanto, a decisão de eliminar Dewey foi uma forma de reafirmar as regras desse universo instável e constante.
Para os fãs da franquia, o legado de Dewey permanece, não apenas como um ícone de resistência, mas como um lembrete que, em histórias de terror, a certeza da sobrevivência não é garantida. Essa decisão narrativa suscitou um debate apaixonado sobre o papel dos protagonistas nas narrativas modernas e a necessidade de mudanças arriscadas para manter a relevância e o perigo em histórias que já nos acostumaram a finais “felizes” para alguns personagens. Scream 5, ao desafiar esse status quo, reafirma seu lugar como um clássico do terror contemporâneo, mantendo a tensão e a emoção em alta.
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