**A Tragic História de Apolo em Star Trek: A Série Original**
Em “Star Trek: A Série Original”, os espectadores são apresentados a uma variedade de seres que parecem divinos e têm habilidades extraordinárias. Porém, uma figura se destaca entre esses seres poderosos: Apolo, interpretado por Michael Forest. Sua história é uma verdadeira lição de solidão e tragédia.
No episódio intitulado “Who Mourns for Adonais?”, da segunda temporada, Kirk e sua equipe enfrentam um Apolo que se afirma ser o famoso deus grego. Ele aparece com uma enorme mão verde, prendendo a nave Enterprise e exigindo adoração e devoção de seus tripulantes. Contudo, o Capitão Kirk, com seu caráter forte e independente, se recusa a adorá-lo, refletindo a atitude de resistência da humanidade frente às entidades que se consideram superiores.
**A Solidão de Apolo**
Apolo não é apenas um deus deslumbrante. Seu poder vem da adoração dos humanos, e sua história revela um aspecto profundo: ele é, de fato, um ser solitário e melancólico. O que torna sua figura ainda mais trágica é que, à medida que a humanidade se afastou de sua religião antiga, ele e seus companheiros deuses foram relegados a um planeta desolado onde lentamente começaram a desaparecer, “retornando ao cosmos nas asas do vento”, como ele mesmo expressa. Esse retrato de um deus que anseia por interações humanas e que, ao mesmo tempo, se sente ameaçado pela modernidade, gera empatia no público.
**Um Amor Não Correspondido**
Apolo também se envolve emocionalmente com a tenente Carolyn Palamas, interpretada por Leslie Parrish. O vínculo entre eles parece ser forte, e a tenente se sente atraída por ele rapidamente. No entanto, a insegurança dele em relação ao amor humano torna-se evidente. Apolo não entende que os seres humanos de sua época não são mais os mesmos que o adoravam, e isso fortalece ainda mais seu caráter trágico. No clímax do episódio, após a rejeição da tripulação da Enterprise, ele se dissolve, lamentando que os humanos não têm mais “espaço para deuses”.
**A Herança de Apolo em Star Trek: Lower Decks**
Curiosamente, a continuidade do legado dos deuses antigos é explorada em “Star Trek: Lower Decks”. Na quinta temporada, somos apresentados à Ensign Olly, uma semideusa descendente de Zeus. Olly enfrenta suas próprias dificuldades em Starfleet, principalmente por conta de seus poderes psíquicos que complicam sua vida a bordo da nave. A série traz uma nova abordagem dessa herança divina, mostrando que, mesmo após a era dos deuses, suas influências permanecem na sociedade starfleetiana. Isso sugere que os temas da mortalidade e da busca por conexão permanecem relevantes, mesmo após a “partida” de Apolo e seus semelhantes.
Essas narrativas não apenas destacam a singularidade de Apolo na série, mas também nos fazem pensar sobre o que significa ser divino e a necessidade humana de conexão e veneração. O episódio “Who Mourns for Adonais?” é um esplêndido exemplo de como “Star Trek: A Série Original” aborda questões filosóficas profundas através de episódios que, à primeira vista, podem parecer apenas ficção científica. E, com isso, Apolo se torna não apenas um deus, mas um símbolo de tudo que foi perdido quando os seres humanos decidiram seguir em frente, deixando os antigos deuses para trás.
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