A história das interações entre Marvel e DC é repleta de momentos marcantes e curiosidades intrigantes. Uma das mais fascinantes é a criação do Squadron Supreme, um time que nasceu de um crossover não realizado entre as duas grandes editoras de quadrinhos.
Nos anos 60, a ideia de unir os heróis da Marvel e da DC parecia distante, com os editores enfrentando barreiras legais que dificultavam esses encontros. Contudo, escritores como Roy Thomas e Denny O’Neil estavam determinados a surpreender os fãs de quadrinhos. Eles conceberam um plano audacioso: criar equipes semelhantes, mas com fundamentalmente personagens invertidos da Marvel e da DC. Assim, surgiu o conceito do Squadron Sinister.
O plano inicial era simples: cada editora lançaria uma edição que apresentaria uma versão maligna da equipe oposta. Roy Thomas introduziu o Squadron Sinister na revista “Avengers”, na qual Hyperion representava Superman, Nighthawk substituía Batman, e Doctor Spectrum fazia o papel de Lanterna Verde. O mais interessante é que a Marvel foi capaz de avançar com essa ideia sem que seus editores percebessem, permitindo que a história se desenrolasse na edição #70 de “Avengers”.
Entretanto, o mesmo não ocorreu para O’Neil, cuja versão de um time maligno da Liga da Justiça foi aceita, mas acabou sendo bloqueada por Julie Schwartz, editora da DC. Na revista “Justice League of America” #75, ao invés de um confronto com uma versão malévola dos Vingadores, os heróis encontraram versões distorcidas de si mesmos. Para contornar a censura, O’Neil fez uma referência sutil ao Capitão América, com um Batman doppelganger utilizando uma tampa de lixo como escudo.
O Squadron Sinister não foi esquecido. A ideia de Thomas, que ficou apaixonado pela dinâmica entre as equipes, levou à criação do Squadron Supreme, que surgiu em “Avengers” #85. Neste número, o Nighthawk é introduzido como um herói, reunindo novamente os análogos da DC, agora prontos para um papel de redentores.
O sucesso do Squadron Supreme rendeu uma série limitada em 1985, escrita por Mark Gruenwald e ilustrada por Bob Hall, onde a equipe foi mais aprofundada. Posteriormente, o concepto foi revitalizado em “Supreme Power”, de J. Michael Straczynski, integrando completamente esses personagens no universo Marvel 616.
Já a história dos Campeões de Angor, que também representa uma tentativa da DC de imitar os Vingadores, não teve a mesma sorte. Em “Justice League of America” #87, essa equipe, composta por personagens como Blue Jay, Jack B. Quick e Silver Sorceress, teve um curta vida nos quadrinhos. Após eventos catastróficos, muitos deles foram dizimados e ficaram relegados a um passado obscuro, ao contrário do que aconteceu com seus colegas da Marvel.
Este contraste entre os destinos de Squadron Supreme e dos Campeões de Angor suscita reflexões sobre como as histórias nas editoras podem se desenrolar em direções opostas, dependendo do interesse e da recepção do público.
A história do Squadron Supreme e dos Campeões de Angor destaca não apenas a rivalidade entre Marvel e DC, mas também como ideias criativas podem emergir até mesmo das maiores frustrações. O que era para ser uma colaboração se transformou em duas narrativas fascinantes, provando que até mesmo os obstáculos podem gerar grandes criações no universo dos quadrinhos.
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