Pular para o conteúdo

A reviravolta icônica do faroeste de Henry Ford e Charles Bronson que definiu o gênero

A reviravolta icônica do faroeste de Henry Ford e Charles Bronson que definiu o gênero
Avalie este artigo

A obra-prima “Era Uma Vez no Oeste” de Sergio Leone, lançada em 1968, é conhecida por distorcer a perspectiva do público sobre heróis e vilões com um enredo surpreendente. Embora o diretor tenha sido influenciado por outros cineastas como John Ford, John Huston e George Stevens, sua trilogia “O Homem Sem Nome”, composta por “Por um Punhado de Dólares”, “Por uns Dólares a Mais” e “Três Homens em Conflito”, trouxe inovações estilísticas que levaram à popularização do subgênero conhecido como “western spaghetti” nos anos 60.

No entanto, foi em “Era Uma Vez no Oeste” que Leone se aventurou em um exercício de gênero ainda mais ambicioso. O filme é uma exploração atemporal da dinâmica entre economia e ganância, e sua reviravolta icônica transforma completamente a visão que o público tem dos personagens principais.

Ao longo do filme, somos apresentados a vários arquétipos conhecidos do gênero, como o pistoleiro misterioso, o bandido sanguinário e a donzela em perigo. No entanto, Leone subverte essas expectativas ao revelar que as verdadeiras motivações e alianças dos personagens são muito mais complexas do que parecem.

Um dos momentos mais memoráveis do filme é quando descobrimos a verdadeira identidade do personagem chamado Harmonica, interpretado por Charles Bronson. Durante grande parte da trama, acreditamos que Harmonica é apenas mais um pistoleiro solitário em busca de vingança. No entanto, descobrimos que ele tem uma ligação pessoal com o vilão Frank, interpretado por Henry Fonda.

Essa revelação muda completamente nossa percepção dos personagens. Harmonica não é mais apenas um herói impessoal em busca de justiça, mas alguém motivado por uma história pessoal de tragédia e vingança. Da mesma forma, Frank deixa de ser apenas um vilão cruel e ganha uma dimensão humana, à medida que descobrimos seus laços com Harmonica.

Leia Agora  Tony Goldwyn fala sobre a abordagem 'mais progressista' do promotor Baxter em Law & Order

Essa reviravolta é notável porque subverte as convenções do gênero. Nos westerns clássicos, geralmente temos personagens claramente definidos como heróis ou vilões, sem muita ambiguidade moral. Em “Era Uma Vez no Oeste”, Leone desafia essa noção simplista, mostrando que até os personagens mais sombrios podem ter suas motivações e razões para agir como agem.

Além disso, a reviravolta em “Era Uma Vez no Oeste” também é icônica por sua execução visual e narrativa. Leone utiliza sua habilidade única de criar tensão e suspense através de longas sequências sem diálogo, intensificando o impacto da revelação. A combinação da iluminação dramática, da trilha sonora marcante e dos close-ups expressivos dos atores amplifica o impacto emocional dessa reviravolta.

“Era Uma Vez no Oeste” não apenas mudou a forma como o público enxergava os personagens nos westerns, mas também influenciou futuros filmes do gênero. A noção de que heróis e vilões podem ter nuances e motivações mais complexas se tornou uma marca registrada dos chamados “westerns revisionistas” que surgiram nas décadas seguintes.

Em suma, “Era Uma Vez no Oeste” é um marco no gênero dos westerns não apenas por sua direção magistral e cinematografia impressionante, mas também pela sua reviravolta icônica que distorce a perspectiva do público sobre heróis e vilões. Sergio Leone nos mostra que nem tudo é o que parece no mundo violento do Velho Oeste, e que até mesmo o mais sombrio dos personagens pode ter uma história que justifica suas ações.