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A Longevidade da Música na Mitologia dos Pecadores

A Longevidade da Música na Mitologia dos Pecadores
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**A MITOLOGIA MUSICAL DOS PECADORES E SUA HISTÓRIA FASCINANTE**

Parar para refletir sobre o que você estaria disposto a sacrificar em busca da grandeza é um exercício profundo. Em um mundo dominado pelas redes sociais, onde muitos optam por abrir mão de sua dignidade em busca de fama e fortuna, a verdadeira grandeza parece ser muito mais do que apenas notoriedade. É necessário um desejo genuíno de dominar sua arte. Entretanto, alcançar esse patamar envolve não apenas talento e dedicação, mas também uma boa dose de sorte. Se, hipoteticamente, uma força sobrenatural oferecesse a você a chance de garantir a fama em troca da sua alma, seria um acordo que você aceitaria? Essas são algumas das questões centrais exploradas pela lenda do músico de blues Robert Leroy Johnson.

Conforme a tradição, Johnson deixou sua plantação no Mississippi para se dirigir a um cruzamento, onde teria feito um pacto com o Diabo. Essa narrativa lendária sugere que o Diabo, em um gesto mágico, afinou sua guitarra e devolveu a Johnson com a habilidade de tocar como ninguém. Daí, muitos acreditam que o blues ganhou vida.

A história de Johnson é apenas uma das narrativas que circularam ao longo do tempo. Curiosamente, o primeiro a ser associado a essa lenda foi outro músico de blues, Tommy Johnson, ativo uma década antes de Johnson. O interessante é que essa lenda permanece viva, ecoando em várias expressões culturais, como visto no mais recente filme de Ryan Coogler, “Sinners”. Essa obra se desdobra como um drama de época, uma reflexão sobre a arte e até mesmo como um filme de terror vampírico, utilizando a lenda de Johnson de uma maneira inovadora.

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**APARÊNCIAS CULTURAIS DA LENDA DO CRUZAMENTO**

A narrativa de Johnson serve como uma explicação do surgimento do blues e também justifica seu domínio na guitarra. O poder da lenda é reconhecido e perpetuado na cultura pop, como mostrado no hit “The Devil Went Down to Georgia” da Charlie Daniels Band, que se tornou um dos principais símbolos dessa batalha musical contra o Diabo. Outro exemplo é a música “Tribute” da banda Tenacious D, que faz uma referência bem-humorada ao mito.

A lenda do cruzamento não se limita apenas ao blues. Ela encontrou lugar em outros gêneros musicais e foi conectada a mitos e clássicos da literatura, como “Fausto”, de Goethe. Além disso, filmes como “Phantom of the Paradise” e “The Apple” também exploram essa temática. Até mesmo em programas de televisão, como “O Brother, Where Art Thou?” e episódios de “Supernatural”, a lenda de Johnson é relembrada.

Um filme que se destaca ao lidar diretamente com a lenda de Johnson é “Crossroads”, de 1986. Nele, um jovem músico procura ajudar um amigo de Johnson, Willie Brown, e a narrativa segue pela mesma veia que “Sinners”, ao transitar entre drama e fábula sobrenatural.

**COMO SINNERS REFERENCIA E REMIXA A LENDA DE JOHNSON**

Ryan Coogler, embora não mencione explicitamente a lenda do cruzamento, faz referência a Charley Patton, considerado o pai do Delta blues. No enredo de “Sinners”, temos o personagem Preacherboy Sammie, que herda uma guitarra e a respeita, mesmo sob a influência negativa de seu pai, o pregador Jedidiah, que tenta dissuadi-lo de seguir sua paixão pela música. A narrativa no filme sugere que existem indivíduos cujo talento é tão puro que podem conectar passado, presente e futuro, trazendo à vida os espíritos durante suas performances.

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Sammie enfrenta vampiros que estão em busca dele ao longo dos anos e, embora eles não o matem, fazem uma proposta semelhante à aquela que um líder vampírico fez em sua juventude. Essa ligação com pactos e acordos faustianos aparece repetidamente na trama, indicando que a jornada de um artista, por si só, é como um pacto com o inusitado.

O filme “Sinners” apresenta uma perspectiva complexa sobre a arte, mostrando que ela é um reflexo do artista, da cultura e da comunidade. Assim, a relação entre o artista e sua expressão é dinâmica, e existe um equilíbrio a ser encontrado entre os aspectos positivos e negativos de criar arte. Como Sammie aprende, bem como Johnson supostamente descobriu, às vezes, fazer algo errôneo pode se justificar por razões nobres, e o Diabo se encontra em cada esquina da nossa rotina, levando a necessidade de se fazer escolhas difíceis.

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