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A Irreparável Perda de Uma Voz: Thelma Schoonmaker Reflete Sobre Dublagem e o Legado de Michael Powell na Indústria Cinematográfica

A Irreparável Perda de Uma Voz: Thelma Schoonmaker Reflete Sobre Dublagem e o Legado de Michael Powell na Indústria Cinematográfica
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**Thelma Schoonmaker e a Questão do Dubbing no Cinema Internacional**

Durante uma sessão de perguntas e respostas no Festival de Cinema de Edimburgo, Thelma Schoonmaker, renomada editora cinematográfica e viúva do célebre diretor Michael Powell, expressou sua frustração com a prática de dublagem em filmes destinados a exibições internacionais. Em uma afirmação que capturou a atenção do público, ela disparou: “Como você substitui a voz de Robert De Niro?”. Essa pergunta retórica tocou em um ponto sensível para muitos envolvidos na indústria cinematográfica.

Schoonmaker, que já ganhou três Oscars, destacou que a dublagem é uma dor de cabeça para editores. Ela argumentou que, quando um filme é enviado para países como Alemanha ou França, a dublagem altera a essência original da obra. “É simplesmente impossível”, disse ela, enfatizando a dificuldade de transformar o que um ator realmente expressa em outra língua, sem perder a emoção e o significado transmitidos pela sua voz.

Falando sobre o legado de Michael Powell, Thelma compartilhou a visão de seu falecido marido, que acreditava na importância de criar cinema que transcendesse fronteiras nacionais. Ela lembrou que Powell costumava dizer: “Por que deveria haver uma indústria cinematográfica britânica? Deveríamos fazer filmes para o mundo.” Essa perspectiva global era particularmente relevante na era do cinema mudo, onde a comunicação visual permitia que filmes fossem facilmente compreendidos em diferentes culturas.

“A era silenciosa permitia que um filme fosse enviado ao Japão com uma simples cartela traduzida. Assim, a essência do filme permanecia intacta”, explicou Schoonmaker. No entanto, com a introdução do som, essa universalidade foi parcialmente perdida. “Michael sentia que, com o som, perdemos algo essencial”, completou.

Thelma também descreveu Powell como um otimista incansável. Mesmo após a recepção fria de sua obra “Peeping Tom” em 1960, que afetou gravemente sua carreira, ele nunca se deixou abater. “Ele continuou escrevendo ideias para filmes e tentava vendê-las, mantendo a esperança viva”, refletiu. Ela destacou que Powell tinha quase 100 projetos em mente, que ele apresentava por toda a Europa.

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O diretor faleceu em 1990, após anos vivendo nos EUA com Thelma, a quem se casou em 1984. A editora mencionou que poucos da indústria britânica compareceram ao funeral de Powell, contrastando com a presença de figuras como Martin Scorsese e Bernardo Bertolucci, que reconheciam a importância de sua obra.

Schoonmaker fechou sua fala citando a bela amizade entre Powell e Scorsese, que ajudou a reavivar o interesse contemporâneo nos filmes do diretor, em especial suas colaborações com Emeric Pressburger. Juntos, criaram clássicos como “The Red Shoes”, “A Vida e a Morte do Coronel Blimp” e “Black Narcissus”, que são frequentemente citados como alguns dos melhores filmes da história do cinema britânico.

O Festival de Cinema de Edimburgo, onde Thelma compartilhou estas reflexões, prossegue até 20 de agosto, celebrando o legado de grandes nomes do cinema e detalhes que muitas vezes passam despercebidos nas discussões sobre a sétima arte.

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