**Como Rambo Criou uma Tendência Controversial em Desenhos Infantis**
O novo prequel da franquia Rambo trará Noah Centineo interpretando uma versão mais jovem do icônico herói, que foi imortalizado por Sylvester Stallone em “First Blood”, lançado em 1982. No entanto, apesar de retratar a juventude de John Rambo, é bastante provável que o filme dirigido por Jari Helmander não seja apropriado para o público infantil, dada a natureza violenta e sangrenta típica da série. Além disso, se o enredo seguir a linha do tempo da saga de Stallone, provavelmente abordará as aventuras do personagem no Vietnã, um assunto que raramente é explorado de forma amigável para toda a família.
Contudo, existiu um período em que o personagem John Rambo foi reimaginado como um herói adequado para desenhos animados infantis. “Rambo: A Força da Liberdade”, uma série que durou apenas uma temporada, foi lançada em 1986. Nela, John Rambo (dublado por Neil Ross) lidera uma equipe militar em diversas missões para frustrar os planos de uma organização terrorista. Essa série foi inspirada no sucesso de “G.I. Joe: A Real American Hero” e se tornou a primeira de várias animações que emergiram de filmes voltados para um público mais adulto, incluindo “RoboCop”, “Beetlejuice” e “Contos da Cripta”.
**Preocupação dos Pais com Rambo: A Força da Liberdade**
A série “Rambo: A Força da Liberdade” gerou preocupações antes mesmo de seu lançamento, com pais demonstrando inquietação em relação ao conteúdo. De acordo com o New York Times, houve protestos antes da estreia, e um pai preocupado declarou: “Como pai, eu acho isso ofensivo.” Naquele período, preocupações semelhantes já surgiam em relação a outros desenhos, como “He-Man e os Mestres do Universo” e “Transformers”, por conta de suas narrativas repletas de ação e personagens violentos. No entanto, uma animação baseada em filmes que exploram a vida de um veterano do Vietnã com problemas psicológicos elevou esses temores a um novo patamar.
Os criadores da série tentaram minimizar as preocupações dos pais. A produtora Amy Kastens se empenhou em assegurar que John Rambo era um bom modelo para as crianças, sendo idolatrado por Ronald Reagan e simbolizando valores positivos. Em suas palavras:
“Quando você pensa que o Presidente mencionou ele, o símbolo de Rambo transcende o filme. Esse símbolo é um símbolo do bem. Ele é muito patriótico. Representa força, faz somente o bem e corrige o mal.”
Embora “Rambo: A Força da Liberdade” tenha suavizado a violência típica dos filmes (mas ainda assim, o personagem é armado e sempre em ação), é intrigante perceber como alguém decidiu que esses filmes poderiam se tornar desenhos animados. No fim das contas, eles acertaram, pois muitos de nós, que crescemos na década de 1980 e 1990, nos divertimos com essas animações.
A tendência iniciada com “Rambo” e que se espalhou por outros títulos que surgiram na época certamente deixou sua marca na televisão infantil, levantando questões sobre a adequação de conteúdos mais pesados sendo adaptados para o público jovem.
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