Quase 50 anos após seu lançamento, a frase final de Laurie Strode em Halloween continua sendo uma das citações mais icônicas e aterrorizantes da história do cinema de horror. A declaração “It was the Boogeyman” representa não apenas o ápice da tensão criada pelo filme, mas também confirma Michael Myers como a personificação do mal absoluto — uma presença sobrenatural que transcende a lógica para se tornar o verdadeiro pesadelo que assombra gerações.
A discussão sobre a sentença exata dita por Laurie — se foi uma pergunta ou uma afirmação — permanece viva entre fãs e críticos. Independentemente disso, o impacto daquela frase é inquestionável. Durante o filme, Laurie, interpretada por Jamie Lee Curtis, inicialmente descarta a ideia do Boogeyman, mito infantil que simboliza o medo irracional. Contudo, ao longo da tragédia que se desenrola, ela é forçada a reconhecer que a ameaça não é apenas real, mas verdadeira encarnação do mal.
O Boogeyman em Halloween não é um simples folclore. John Carpenter, diretor do filme, intencionalmente chama Michael Myers de “The Shape” (“A Forma”), ressaltando sua natureza indefinida — uma entidade sem forma clara, que representa o mal puro. Essa representação reforça a aterrorizante ambiguidade do personagem, tornando-o uma sombra implacável que ultrapassa a existência humana comum.
No enredo, Michael Myers escapa do sanatório após assassinar sua irmã mais nova e retorna à sua cidade natal, Haddonfield, à espreita na véspera de Halloween. Ele persegue Laurie e seus amigos com a intenção de completar seu ciclo de morte e violência. É o pequeno Tommy Doyle, o garoto que Laurie está cuidando, quem primeiro chama Michael de Boogeyman, mas Laurie, cética, ignora essa interpretação infantil, acreditando que tais lendas são histórias para assustar crianças.
Ao longo da noite, Michael desafia toda chance de sobrevivência, sobrevivendo a diversas facadas e tiros, movimentando-se quase como um espectro imortal. No clímax do filme, depois de uma série de confrontos brutais, Laurie finalmente reconhece que não está lidando com um assassino comum, mas com aquela entidade que encarna o medo mais primitivo. Quando ela declara “It was the Boogeyman”, está aceitando a verdade cruel: o mal que assombra Haddonfield é eterno e indestrutível.
Essa frase é o ponto de virada definitivo para Laurie como personagem e para legião de fãs que a acompanha há décadas. Ela deixa de ser uma jovem desavisada para se tornar a clássica “Final Girl”, a heroína que, mesmo diante do mal absoluto, encontra força para resistir. Além disso, essa revelação alimenta a longevade da franquia Halloween, que já soma mais de 12 continuações, remakes e reboots ao longo dos anos.
A cena final do filme, que apresenta uma montagem dos locais por onde Michael passou enquanto sua respiração ofegante ecoa na trilha sonora sinistra, reforça a ideia de que o Boogeyman não pode ser derrotado por meios tradicionais. A sua essência maligna persiste, eternizando o pavor e a insegurança presentes na cultura popular.
Sem essa referência ao Boogeyman, nunca teríamos o legado de Halloween como conhecemos. A definição de Michael Myers como uma força sobrenatural transformou a franquia em um fenômeno cultural e catapultou Jamie Lee Curtis como a rainha do horror. Para os fãs, Laurie não é apenas uma vítima, mas uma sobrevivente que compreende o mal em sua forma mais pura.
Reconhecer Michael Myers como o Boogeyman é essencial para entender sua imortalidade nas telas e o motivo pelo qual ele continua sendo uma figura tão assustadora. Ele não é simplesmente um assassino comum, mas a tradução viva do medo que assombra desde a infância — um monstro capaz de transcender tempo e espaço, que Laurie finalmente aceita enfrentar usando toda sua astúcia e determinação.
Mesmo passadas quase cinco décadas, a frase “It was the Boogeyman” permanece como um marco do terror, um lembrete incômodo de que algumas ameaças jamais desaparecem. Sua simplicidade carrega um peso imenso, tornando Halloween um fenômeno para as gerações que seguem a saga de Laurie Strode e o implacável Michael Myers, o verdadeiro pesadelo que não pode ser esquecido.
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