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A Dívida que Corrompe: O Embate Entre os Privilegiados Sage Collection, Fargo.

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A nova temporada de Fargo, criada por Noah Hawley, traz uma abordagem única sobre o tema da dívida. Nessa temporada, a narrativa foca na dívida como um instigador, uma sombra iminente e um fardo inescapável. Um diálogo entre Lorraine Lyon, uma grande colecionadora de dívidas, e o xerife Roy Tillman, um religioso fervoroso, revela a perspectiva da temporada sobre a dívida como um conceito que corrompe.

A temporada começa introduzindo Dot Lyon, interpretada por Juno Temple, uma mulher corajosa que se inspira no filme “Esqueceram de Mim” e decide se defender dos invasores de sua casa de maneira mais audaciosa. Aos poucos, descobrimos que Dot era, na verdade, Nadine, esposa abusada de Roy (Jon Hamm). Roy tem uma visão machista e tenta matar o assassino Ole Munch por não ter conseguido sequestrar Nadine de volta para ele. Roy não quer simplesmente pagar o que deve a Ole Munch. Por sua vez, Gator (Joe Keery), o filho de Roy, encarregado de matar Ole Munch, não é páreo para um homem que revela ser um consumidor de pecados, um ser que absorve os pecados dos outros para que eles possam ascender ao céu. Por outro lado, a mãe de Dot, Lorraine (Jennifer Jason Leigh), é uma mulher extremamente rica, cuja fortuna é atribuída ao comando de uma agência de cobrança de dívidas.

A temporada aborda não apenas a dívida financeira mais comum, mas também dívidas religiosas e metafísicas, representadas por Roy e Ole Munch. Roy acredita que Dot lhe deve por ter fugido de seu casamento violento e ter se escondido por quase uma década. Ole Munch se tornou imortal ao absorver os pecados que os ricos querem negar terem cometido. Nesse mundo, coisas fantásticas existem e as pessoas acreditam nelas. É um mundo onde se encontra medo, culpa e ansiedade causados pela incapacidade de se estar em dia com alguém, de ser visto como dependente, de não ter os próprios assuntos em ordem. Lorraine sabe do medo da dívida nos outros e manipula isso para seu próprio benefício. Roy teme ser visto como inadequado e busca recuperar Dot. Ole Munch foi transformado pelos séculos de absorção dos pecados que os ricos querem esconder. Assim, em cada um desses arcos, a dívida se torna um meio para um fim: uma forma para Lorraine e Roy manterem os desequilíbrios de privilégio e poder que os beneficiam, e para Ole Munch sobreviver em uma sociedade cruel com suas classes mais baixas. A dívida pode ser uma arma e, como qualquer arma, pode ser usada tanto para atacar quanto para se defender.

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Em um certo momento da temporada, Lorraine e Roy têm uma conversa que revela suas diferentes perspectivas sobre a dívida e suas posições de privilégio. Ela, como CEO da Redemption Services, uma empresa de cobrança de dívidas, fala sobre a necessidade dos americanos de terem uma oportunidade para se recuperarem financeiramente. Já Roy acredita na submissão das mulheres e vê Dot como sua propriedade. Esses personagens representam diferentes perspectivas sobre a dívida e como ela afeta sua visão de si mesmos e dos outros.

O confronto entre Lorraine e Roy é intrigante, pois subverte as expectativas sobre quais personagens irão se aliar e une as diferentes representações de dívida na série em um retrato coerente da provocação. Eles estão presos em um escritório, trocando insultos devido às suas posições de privilégio. Cada um tem sua visão sobre a dívida, com Roy focando no que acredita que lhe é devido por Deus e Lorraine focando no poder do dinheiro para resolver problemas. O diretor Dana Gonzales os mantém em enquadramentos fechados individuais, mostrando como nenhum deles cede espaço e como suas visões diferentes sobre a dívida moldam seus insultos e suposições sobre o outro.

O confronto entre Lorraine e Roy também representa um dos temas centrais da temporada: qual é mais impactante, as demandas do capitalismo ou as demandas de Deus, e como a dívida resultante dessas imposições pode nos transformar. Será que Lorraine e Roy sempre foram assim, ou eles se tornaram pessoas mais duras e cruéis por causa de como a sociedade associa a falência à fraqueza? Essas são perguntas que a série talvez não responda completamente nas próximas cinco episódios, mas não há dúvidas de como a temporada aborda o medo da dívida como um medo de vitimização e como esse medo pode ser o primeiro passo para a exploração dos outros. O desejo de absolvição, seja financeira, religiosa ou cósmica, é o ponto em comum dessa temporada, assim como seu alto preço.

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Em resumo, a quinta temporada de Fargo apresenta uma abordagem interessante sobre o tema da dívida. A narrativa usa a dívida como um instigador e um fardo que corrompe os personagens. O confronto entre Lorraine e Roy revela suas diferentes perspectivas sobre a dívida e como ela afeta suas vidas e relacionamentos. A temporada aborda não apenas dívidas financeiras, mas também dívidas religiosas e metafísicas. A luta entre os personagens reflete o conflito entre as demandas do capitalismo e as demandas religiosas, e a dívida se torna uma ferramenta de ataque e defesa. No final, a temporada questiona o preço alto que pagamos por nossos desejos de absolução.