90 ANOS ATRÁS, CHARLIE CHAPLIN DISSE ADEUS AO TRAMP EM GRANDE ESTILO
A história do cinema mudo é incompleta sem Charlie Chaplin, o icônico artista que, como ator, diretor e roteirista, deixou uma marca indelével na sétima arte. Chaplin é mais conhecido pelo personagem “O Tramp”, que fez sua estreia em 1914 no curta “Kid Auto Races at Venice”. Enquanto Hollywood rapidamente se adaptava à era do som após o sucesso de “The Jazz Singer”, em 1927, Chaplin continuou a resistir a essa mudança até muito depois, criando “Modern Times” em 1936 como um tributo ao cinema mudo e um desfecho para o Tramp.
Modern Times se passa em uma época em que o trabalho manual começou a ser substituído pelo avanço das fábricas mecânicas. No filme, o Tramp enfrenta os desafios desse período de transformação, lutando para se adaptar enquanto busca a conexão com sua amada, Ellen, interpretada por Paulette Goddard. Um dos momentos marcantes do filme é quando o Tramp fala pela primeira vez, o que simboliza a aceitação de Chaplin sobre a nova era cinematográfica.
A obra reflete a luta de Chaplin como artista, pois representa a transição de um trabalhador tradicional diante da ascensão tecnológica. Apesar de ter se destacado no cinema mudo, Chaplin percebeu que não poderia continuar a contar grandes histórias sem diálogo. Em Modern Times, o Tramp é visto fugindo da prisão após causar caos em uma fábrica, buscando um futuro incerto, assim como Chaplin estava determinado a continuar fazendo filmes, mesmo que agora em formato sonoro.
O filme encerra a trajetória do Tramp de forma ambígua, mas esperançosa. Ele finalmente se une a Ellen, simbolizando a persistência da paixão artística de Chaplin, que mesmo diante da mudança, continuou a se destacar como um dos cineastas mais originais da época. Ao longo de duas décadas, o público acompanhou o Tramp, e era crucial para Chaplin justificar seu desfecho.
As falas que o Tramp pronuncia pela primeira vez são na verdade uma sucessão de sons engraçados. Essa escolha artística se alinha com a essência do personagem, que conquistou plateias por meio de sua comédia física. O que ele diz não tem relevância direta no enredo, servindo mais como uma forma de Chaplin demonstrar a futilidade do diálogo. A cena é divertida, enquanto o Tramp tenta desviar a atenção de sua falta de preparação e usar a música de forma cômica.
Modern Times representa Chaplin em um de seus momentos mais maduros. Mesmo com a inclusão de algumas falas, o filme se utiliza de técnicas do cinema mudo para construir sua conclusão emocional. O Tramp sempre foi um personagem que se expressou por meio de ações, e o desfecho do filme, onde ele e Ellen fogem juntos, preserva essa essência. A cena final deles caminhando lado a lado tem um ar de incerteza, refletindo o desafio de encontrar um lugar em um mundo em rápida transformação.
Chaplin fez uma docil escolha de integrar o som ao seu trabalho, o que foi benéfico não apenas para sua carreira, mas também para a indústria cinematográfica como um todo. Modern Times aborda questões políticas essenciais da época, mas Chaplin se tornaria ainda mais incisivo em sua obra seguinte, “The Great Dictator”, uma crítica poderosa ao fascismo.
O trabalho de Chaplin se tornaria mais sombrio e ambicioso nas décadas seguintes, e ele nunca repetiria a mesma dose de humor de Modern Times em suas obras posteriores. Com isso, o filme se torna a despedida perfeita para o Tramp, consolidando sua importância e profundidade no cinema.
Modern Times está disponível para streaming nas plataformas Prime Video, HBO Max e Criterion Channel. O filme, que conquistou o público com sua combinação de comédia e crítica social, continua a ser um marco na história do cinema e um testemunho da genialidade de Charlie Chaplin.
Filmes, séries, músicas, bandas, clipes, trailers, críticas, artigos, uma odisseia. Quer divulgar o seu trabalho? Mande seu release pra gente!
