**Por que Stephen King esreveu a série “Lisey’s Story” para a Apple TV+**
Stephen King é um dos autores mais prolíficos e reconhecidos da literatura, mas ele não costuma se envolver na adaptação de suas obras para a tela. Apesar de ter escrito algumas adaptações, como “Pet Sematary” (1989), a minissérie “The Stand” (1994) e o filme “Cell” (2016), King foi firme em sua decisão de adaptar apenas “Lisey’s Story” para a série, garantindo que sua visão pessoal não fosse comprometida.
**Uma história de amor única**
“Lisey’s Story” se destaca entre as obras de King não por ser uma narrativa de terror, mas por ser uma história de amor que abrange várias décadas de um relacionamento entre Lisey e Scott Landon. O enredo envolve os desafios e alegrias que surgem durante a vida a dois, incluindo momentos de romance e desavenças. O casal possui uma linguagem própria, reminiscente de “Alice no País das Maravilhas”, e também enfrenta dificuldades relacionadas à fama do marido, um autor conceituado.
Após a morte de Scott, Lisey se vê obrigada a organizar o escritório do parceiro, onde encontra objetos nostálgicos que evocam memórias compartilhadas e textos inacabados. Além de lidar com seu luto, ela enfrenta a ameaça de um perseguidor obcecado pelo trabalho de Scott. Durante essa jornada, Lisey descobre a capacidade de acessar um universo de fantasia que Scott havia deixado para ela, conhecido como Boo’ya Moon, um reino mágico repleto de flora exuberante e cores vibrantes.
**A adaptação para série**
Lançada em 2021 na Apple TV+, a minissérie “Lisey’s Story”, dirigida por Pablo Larraín e estrelada por Julianne Moore e Clive Owen, fez sua estreia com grande expectativa. Contudo, apesar das imagens deslumbrantes e do elenco talentoso, a série recebeu críticas sobre seu ritmo, que muitas vezes é considerado arrastado, repleto de flashbacks que prejudicam o desenvolvimento da narrativa. Outro ponto a ser considerado é a forma como o casal se comunica, com diálogos que podem resultar incômodos na tela, dadas suas origens no livro.
**Uma visão pessoal**
Durante uma entrevista em 2021, King falou sobre a importância de “Lisey’s Story”, afirmando que sempre teve um carinho especial pela narrativa e que desejava estar profundamente envolvido em sua adaptação. “Eu gostei da história e é por isso que me envolvi. Eu segurei essa história para mim porque pensei que em algum momento gostaria de fazer parte do roteiro e conduzir a sua conclusão. Poder fazer isso é um presente maravilhoso”, declarou o autor, enfatizando sua conexão emocional com a obra.
A influência pessoal de King’s também é inegável. Após uma grave internação em 2003, sua esposa Tabitha reorganizou seu escritório, o que levou King a refletir sobre a morte e o legado que deixamos. Esse evento inspirou os temas de legado e narrativa presentes em “Lisey’s Story”.
King também buscou evitar os erros já cometidos em outras adaptações, como a famosa “The Shining” de Stanley Kubrick, da qual ele não gostou, pois acreditava que a complexidade emocional do personagem principal foi perdida. Essa experiência fez com que ele quisesse ter controle total sobre “Lisey’s Story”.
**Uma adaptação complicada**
Embora “Lisey’s Story” seja uma obra profundamente pessoal, também ilustra como a proximidade emocional de um autor com sua obra pode dificultar a transição para o meio audiovisual. A paixão e a visão de King são inegáveis, mas, como evidenciado pela recepção mista da série, nem sempre é fácil traduzir sentimentos complexos e narrativas íntimas para a tela.
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