**Como os incêndios em Los Angeles geraram uma luta pela produção local de filmes e séries**
Em 2025, a cidade de Los Angeles enfrentou incêndios devastadores em janeiro, que resultaram na destruição de milhares de lares e em danos que ultrapassaram 250 bilhões de dólares. Esse evento catastrófico não apenas abalou as comunidades locais, mas também trouxe à tona questões críticas sobre a indústria cinematográfica e televisiva na Califórnia, que já enfrentava desafios antes dos incêndios.
**Reação do setor após os incêndios**
Os incêndios acabaram por revitalizar a determinação dos trabalhadores da indústria do entretenimento em resgatar a produção local. Rebecca Rhine, diretora executiva da Directors Guild of America, afirmou que a tragédia renovou o compromisso de todos em manter a indústria vibrante em território californiano. Rhine lidera o Entertainment Union Coalition, que lançou a campanha “Keep California Rolling”. Essa iniciativa visa pressionar autoridades federais e estaduais a estabelecer soluções duradouras para a crise enfrentada pela produção audiovisual.
Outra campanha, chamada “Stay in LA”, liderada por Alexandra Pechman e Sarah Smith, busca não apenas atrair a atenção dos legisladores, mas também dos famosos que podem influenciar a permanência das produções em Los Angeles. Mesmo enquanto as chamas ainda ardiam, elas conseguiram coletar mais de 6 mil assinaturas de apoio, contando com o apoio de nomes conhecidos da indústria.
Pechman destacou que a questão vai além de Hollywood, afetando uma vasta gama de profissionais, desde floristas até pequenos negócios, todos dependentes da saúde da indústria do entretenimento.
**Impacto econômico da fuga de produções**
Entre 2015 e 2020, cerca de 50% das 312 produções que não se qualificaram para os incentivos fiscais da Califórnia acabaram se mudando para outros locais, resultando em uma perda aproximada de 28 mil empregos e 7,7 bilhões de dólares em atividade econômica. Esse fenômeno de “fuga de produções” afeta não apenas a quantidade de empregos na área, mas também o turismo e as indústrias locais.
Reconhecendo que grandes nomes têm um poder de persuasão significativo, Pechman e Smith perceberam que o apoio de celebridades pode ser crucial para a causa. Smith enfatizou a importância de quando uma figura influente se posiciona dizendo que não fará um projeto a menos que seja filmado localmente.
**Medidas do governo e ações necessárias**
No início de 2025, a presidente do DGA, Lesli Linka Glatter, fez um apelo vibrante durante uma cerimônia de premiação, defendendo que produções deveriam ser filmadas onde se passam, prometendo que seu próximo projeto, uma série chamada “Imperfect Women”, seria filmado em Los Angeles.
O governo estadual também começou a explorar possíveis soluções, e em outubro de 2024, o governador Gavin Newsom propôs um aumento significativo no programa de incentivos fiscais para filmes e TV na Califórnia, elevando-o para 750 milhões de dólares anualmente. Além disso, foram apresentadas propostas de leis para modernizar o programa, permitindo que uma maior variedade de projetos se qualificassem.
Entretanto, muitos especialistas e profissionais do setor concordam que apenas o aumento de financiamento não será suficiente para resolver os problemas. Pechman e Smith estão focadas também em tornar Los Angeles um lugar mais acolhedor para produções, simplificando o sistema de permissões que muitas vezes desmotiva cineastas.
**A necessidade de ação imediata**
O tempo é um fator crítico. Smith alertou que o cenário dos custos de trabalho e de produção, bem como a concorrência com países que oferecem cuidados universais, torna a defesa da produção na Califórnia uma questão de sobrevivência. O momento exige ação para preservar uma indústria que não só gera empregos, mas também é fundamental para a identidade cultural da Califórnia.
Felizmente, ainda há algumas produções de destaque permanecendo na cidade, como a série “Hacks” e o programa “Jury Duty”. Embora o futuro continue incerto, a esperança permanece viva de que Los Angeles possa recuperar sua posição como o epicentro da produção cinematográfica e televisiva. Como afirmou Glatter, “O nosso superpoder na indústria do cinema é a resiliência e o sentido de comunidade, e isso é poderoso”.
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