Quando pensamos em Keanu Reeves, logo vem à mente a figura implacável de John Wick ou o hacker Neo em The Matrix. No entanto, o icônico ator de Hollywood carrega um lado profundamente melancólico e introspectivo que muitas vezes fica escondido atrás de seus grandes sucessos de bilheteria. Com uma carreira consolidada desde os anos 1980, passando por clássicos como Caçadores de Emoção, Drácula de Bram Stoker e Constantine, Reeves recentemente ganhou destaque ao receber o prêmio Legend of Cinema no SCAD Savannah Film Festival e por suas investidas na televisão, incluindo participações na segunda temporada de Severance, dublando um piloto em Secret Level e atuando como produtor executivo no derivado John Wick: Under the High Table.
O que motivou a célebre frase do dia de Reeves foi uma reflexão profunda extraída de sua entrevista ao The New York Times em 2024, concedida durante o lançamento de seu primeiro livro, The Book of Elsewhere, coescrito com o autor britânico China Miéville. A obra literária funciona como um derivado de sua série de quadrinhos BRZRKR, que acompanha um guerreiro imortal com os traços do próprio ator e que também ganhará uma adaptação em filme live-action na Netflix. Diferente do tom violento das HQs, o livro explora em um universo alternativo as origens e o peso da imortalidade, levando o ator a confrontar seus próprios demônios e questionar a violência e a finitude humana.
A emblemática citação do ator levanta uma questão fascinante sobre a natureza humana: Por que a morte é tão forte e o amor tão frágil, e ainda assim ele é a força mais potente do planeta? Para Reeves, o impacto devastador da morte só atinge essa proporção porque o amor é capaz de gerar um volume incomensurável de sentimentos. Essa dor não se limita ao romance, estendendo-se ao afeto familiar e platônico que, ao ser interrompido pela perda, deixa um vazio doloroso. O próprio astro conhece bem a tragédia da perda, tendo lidado com o falecimento de seu melhor amigo River Phoenix em 1993, a perda de sua filha Ava ainda natimorta em 1999 e a morte de sua companheira Jennifer Syme em um acidente automobilístico em 2001. Em entrevista anterior ao The Guardian em 2019, ele resumiu sua relação com o luto afirmando que ele se trata do amor pela pessoa ausente e que essas marcas nunca desaparecem, permanecendo sempre presentes.
Ao longo dos anos, o ator abriu-se em diversas entrevistas sobre sua visão de mundo, sua relação com o envelhecimento e a passagem do tempo:
- Em entrevista de 1995 à Vanity Fair, comparou sua persona pública dizendo: Eu sou o Mickey Mouse. Eles não sabem quem está dentro do terno.
- Em 2005, em conversa com o TODAY, refletiu sobre a energia e a existência: Eu acho que, como nas histórias que contamos, há um aspecto da vida atual informando para onde vamos. A energia não pode ser criada ou destruída, ela flui com algum tipo de direção espiritual interna.
- Em 2012, revelou ao The Independent sobre a crise dos 40 anos: Tive a clássica crise dos 40… Para mim, foi como uma segunda adolescência. Hormonalmente meu corpo estava mudando, minha mente estava mudando, e minha relação comigo e com o mundo chegou a esse confronto com a finitude.
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