Everwind: a aposta dos ares para renovar o gênero Minecraft-like
O mercado de jogos sandbox e de sobrevivência ganhou recentemente um novo concorrente que promete se destacar pela inovação: Everwind, um RPG de sobrevivência com temática fantástica, desenvolvido pela Enjoy Studio e publicado pela Bohemia Interactive. Lançado em acesso antecipado no dia 17 de março de 2026, para PC via Steam, o título traz elementos familiares aos fãs de Minecraft e Hytale, mas aposta em um diferencial curioso e ambicioso: o uso de dirigíveis e viagens aéreas para explorar seu mundo.
A mecânica central de Everwind mantém as bases do gênero: exploração, coleta de recursos, crafting e combate em um ambiente gerado proceduralmente, construído a partir de blocos voxel destrutíveis. Os jogadores podem fabricar armas, armaduras, ferramentas e até móveis, enquanto enfrentam criaturas variadas, desde javalis até seres inusitados como lagostas com barris nas costas. A ambientação aposta em uma estética medieval e um clima sóbrio, enriquecida por efeitos de iluminação que suavizam a rigidez dos blocos e pela diversidade de fauna e flora, incluindo a presença adorável de capivaras.
O que realmente diferencia Everwind de outros jogos similares é a presença dos ares: o mundo é composto por um vasto oceano pontilhado de ilhas flutuantes, algumas no nível do mar, outras pairando no céu, evocando a sensação de títulos como Wind Waker e Sea of Thieves. A navegação por essas ilhas é feita a bordo de um dirigível que o jogador pode construir a partir de peças encontradas e escaneadas com uma bússola mágica. Para voar, é necessário reunir componentes como cockpit, gerador de energia, motor de madeira e balão, o que desafia o jogador a explorar e coletar recursos estratégicos.
Apesar do potencial, o início da jornada em Everwind pode ser frustrante. O tutorial inicial apresentou dificuldades devido à escassez de sucata na ilha inicial, gerando um ciclo de morte e perda de itens que forçou o recomeço da aventura. No entanto, essa experiência levou o jogador a explorar mais profundamente as outras mecânicas de crafting e combate, que, embora ainda simples, mostram evolução em relação ao padrão do gênero. O sistema de combate utiliza uma barra de resistência e permite ações como esquiva, bloqueio e parry, oferecendo um desafio maior que o tradicional “bate-e-corre”.
A ambientação das ilhas também merece destaque. Cada uma possui características distintas, com biomas variados e pontos de interesse únicos — desde rochas cobertas por musgo rosa e torres industriais abandonadas, até vilarejos com casas de pedra e faróis solitários. A geração procedural do mapa cria paisagens que convidam à exploração e que impressionam tanto de perto, pela riqueza de detalhes, quanto de longe, pelas silhuetas intrigantes que se destacam no horizonte.
O voo no dirigível, embora inicialmente lento e limitado, abre uma nova dimensão para o jogo. O controle é simples, com ajustes de velocidade e altitude, mas o progresso exige melhorias constantes na nave para que a experiência se torne mais fluida e prazerosa. A promessa de combates aéreos e modos cooperativos ainda não foi testada, mas acrescenta uma camada de expectativa para o futuro do título.
Everwind ainda está em seus primeiros passos, com “pelo menos um ano” previsto para o acesso antecipado, o que indica espaço para refinamentos e adições que podem transformar o jogo em uma experiência sólida e cativante. Mesmo com seus tropeços iniciais, o charme de navegar por um mundo cheio de mistérios e aventuras aéreas, aliando a liberdade do sandbox à sensação de descoberta, torna Everwind uma aposta promissora para os fãs do gênero.
A combinação de exploração, crafting e a inédita liberdade de voar em um mundo vivo, repleto de ilhas flutuantes, posiciona Everwind como uma das estreias mais interessantes da temporada no universo dos jogos de sobrevivência e aventura. Resta acompanhar seu desenvolvimento para ver se os ares serão, de fato, o diferencial que o fará voar alto no mercado.
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